Suspeito de integrar grupo de agiotas ostenta montanha de dinheiro

Operação prendeu 11 pessoas em Goiás e no Distrito Federal; grupo é suspeito de cobrar juros de 20% ao mês e fazer ameaças durante cobranças


Por Rota Araguaia em 11/09/2026 às 15:34 hs

Suspeito de integrar grupo de agiotas ostenta montanha de dinheiro
Foto: Polícia Civil/Divulgação

Redação

 

Imagens divulgadas pela polícia mostram Adailton Fernandes de Oliveira, preso suspeito de integrar um grupo de agiotas, contando uma grande quantidade de dinheiro sobre um sofá. As cédulas aparecem formando uma espécie de “montanha” ao lado dele.

Segundo as investigações, Adailton seria o responsável pelo setor financeiro do grupo, que teria como chefe o sargento aposentado da Polícia Militar de Goiás José Luiz Silva Sá.

A operação foi realizada nesta quinta-feira (10) e resultou na prisão de 11 pessoas em Goiás e no Distrito Federal. De acordo com a polícia, o grupo emprestava dinheiro com juros abusivos de 20% ao mês e utilizava ameaças e violência para cobrar os devedores.

No vídeo, Adailton aparece ao lado do dinheiro e brinca sobre o trabalho que teria para contar as cédulas.

“Olha o saco aí que eu despejei, tem que contar, vou passar a noite todinha contando dinheiro. Antigamente eu corria atrás do dinheiro, agora o dinheiro corre atrás de mim, tenho que agradecer a Deus. A gente junta de saco. Dinheiro rápido, olha a potência de Goiânia”, disse.

A Polícia Civil do Distrito Federal informou que foi questionada sobre a origem do vídeo e se as imagens foram encontradas no celular de Adailton, mas ainda aguardava retorno.

Os investigados devem responder por extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.

Durante a operação, foram apreendidos oito carros de luxo, celulares e armas. Também houve determinação para o bloqueio de bens no valor de R$ 10 milhões.

Ameaças durante cobranças

Segundo a investigação, o grupo utilizava ameaças de morte e violência para cobrar as dívidas. Mensagens encontradas pelos investigadores mostram integrantes do esquema usando inclusive a suposta ligação do grupo com um ex-policial como forma de intimidar os devedores.

Em uma das mensagens, um integrante afirma:

“Minha equipe vai receber de você de qualquer jeito. Qualquer coisa, meu chefe é policial, faz uma denúncia e abre processo também. [...] Vai ser mais caro para uma garota trapaceira e desonesta que não tem palavra.”

Em outra conversa, um dos integrantes escreveu:

“Ele vai procurar você aí loirinha. A dívida tem que ser paga.”

De acordo com a apuração das autoridades, o sargento José Luiz realizava pessoalmente algumas cobranças, armado e de forma violenta.

Ainda segundo a polícia, o grupo teria movimentado R$ 10 milhões em aproximadamente oito meses.

Investigação começou após ameaça a comerciante

A investigação teve início no ano passado, depois que um comerciante da Feira dos Goianos pegou dinheiro emprestado com o grupo e não conseguiu quitar a dívida.

Conforme a investigação, após o atraso, o comerciante e familiares passaram a ser ameaçados.

A polícia orientou pessoas que tenham pegado dinheiro emprestado com o grupo a não apagar mensagens, áudios ou outros registros das conversas, pois esse material pode servir como prova durante a investigação.

Defesa e Polícia Militar se manifestam

A defesa de José Luiz Silva Sá e Adailton Fernandes de Oliveira afirmou que não teve acesso integral ao inquérito, que tramita sob sigilo, e informou que pretende ingressar com pedido de habeas corpus para que os dois possam responder ao processo em liberdade.

A Polícia Militar de Goiás informou que José Luiz está na reserva remunerada e não possui qualquer vínculo com o serviço ativo da corporação.

A Corregedoria da PM acompanha o caso e afirmou que adotará as medidas pertinentes no momento oportuno.

Cheques, documentos e computador apreendidos com suspeitos de agiotagem no DF — Foto: Polícia Civil/Divulgação

 



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