Vigilante da Câmara denuncia racismo durante trabalho em Barra do Garças; vídeo

A ofensa aconteceu depois que ele alertou um motorista de que não era permitido estacionar em uma vaga exclusiva para veículos oficiais


Por Rota Araguaia em 09/09/2026 às 10:17 hs

Vigilante da Câmara denuncia racismo durante trabalho em Barra do Garças; vídeo
Reprodução

Da Redação
Semana7

 

Um vigilante da Câmara Municipal de Barra do Garças denunciou, nas redes sociais, ter sido vítima de racismo por um motorista na manhã desta segunda-feira (7). Segundo Luiz Fernando Soares Ferreira, de 32 anos, a ofensa aconteceu depois que ele alertou o homem de que não era permitido estacionar em uma vaga exclusiva para veículos oficiais.

 

Luiz Fernando trabalha como vigilante patrimonial há 11 anos e atua há dois anos na Câmara Municipal de Barra do Garças. Ele afirmou que pretende registrar a ocorrência na Polícia Civil. As imagens das câmeras de segurança poderão ser utilizadas para auxiliar na identificação do motorista e na apuração do caso.

 

O episódio aconteceu enquanto Luiz Fernando trabalhava durante o feriado. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele relatou o ocorrido. “Eu fui orientar um senhor de pele branca que não pode estacionar ali. Ele começou assim: ‘Onde que está a placa?’. Eu orientei: ‘Tem uma placa ali para informar o senhor’”, disse.

 

Ainda de acordo com o vigilante, o motorista teria se irritado e o chamado de “palhaço”. Depois, o homem passou a utilizar ofensas raciais repetidamente.

 

Em entrevista ao Semana7, Luiz Fernando contou que situações como essa ainda o entristecem e que outros episódios de preconceito já aconteceram algumas vezes ao longo da vida profissional.

 

Ele é pai de duas meninas, de 10 e 4 anos, e a esposa está grávida de oito meses de um menino. Segundo o vigilante, o episódio também o fez pensar sobre como as filhas poderão enfrentar eventuais situações de racismo no futuro.

 

“Eu fico pensando como minhas filhas vão encarar isso? Eu tenho que criar elas fortes para esse mundo porque, infelizmente, é uma coisa que vai acontecer uma hora ou outra, vai vir isso na vida delas”, afirmou.

 

De acordo com Luiz, a esposa estava dentro do prédio da Câmara e presenciou a discussão. Ele também relatou que a filha mais velha demonstrou preocupação após o episódio. “Minha filha mais velha nem entende muito bem a situação, mas ela já sabe do perigo, do medo, daquele receio, sabe? De a pessoa fazer um mal para mim e me pediu para ter cuidado”, contou.

 

Para o vigilante, episódios como esses não devem ser tratados simplesmente como “vitimismo”. “E o ruim é porque algumas pessoas falam assim: ‘Ah, você quer se fazer de vítima, é vitimismo’. Mas não é, porque eu nem levo mais para o coração em relação a isso. Quando eu percebo que a pessoa está na maldade comigo, eu saio de perto”, afirmou.

 

Luiz Fernando também contou que recebeu apoio de vereadores da Câmara Municipal e deve contar com auxílio jurídico da instituição para prosseguir com o caso.

 

Vídeo:

 

 



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