Redação
Um adolescente de 17 anos teve larvas encontradas no curativo do braço enquanto estava internado no Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. O caso foi relatado pela família, que questiona as condições de higiene e os cuidados recebidos pelo paciente durante a internação.
Vanderson Campos de Magalhães sofreu um acidente de moto na manhã de domingo (9), enquanto trabalhava com gado em uma fazenda de Nossa Senhora do Livramento, a 42 quilômetros de Cuiabá. Ele teve fraturas no braço e na perna e foi encaminhado para o Pronto-Socorro de Várzea Grande.
Segundo a mãe do adolescente, Creonice Campos, o filho passou por uma cirurgia no mesmo dia e teria ficado segunda-feira (10) e terça-feira (11) sem tomar banho. A família também afirma que o curativo não teria sido trocado nesse período.
Na manhã de quarta-feira (12), o adolescente teria sentido algo estranho no braço. Ao verificar o curativo, os familiares encontraram larvas saindo da região do ferimento. De acordo com a mãe, o curativo só teria sido trocado por volta das 22h.
A família também relatou problemas relacionados à higiene do quarto onde o adolescente está internado. Os familiares afirmam ainda que alguns aparelhos de ar-condicionado não estariam funcionando e questionam a qualidade da alimentação oferecida aos pacientes.
Em nota, a Prefeitura de Várzea Grande informou que o adolescente permanece internado e recebe acompanhamento médico e de enfermagem.
Segundo a direção do Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande, após a identificação de uma larva na parte externa da ferida operatória, os profissionais foram acionados para realizar a limpeza e os cuidados necessários.
A unidade afirmou que os curativos seguem a programação assistencial definida pela equipe médica, com acompanhamento da evolução da ferida e adoção das medidas necessárias. A família também estaria sendo acompanhada e orientada durante a internação.
O enfermeiro responsável pelo centro cirúrgico, Hermilton Jorge Sousa Filho, explicou que pacientes com fratura exposta passam por uma sequência de procedimentos. Segundo ele, o membro é lavado e higienizado antes da cirurgia e o primeiro curativo é mantido por 24 horas, sendo retirado posteriormente pelo médico responsável.
Sobre as larvas, o profissional afirmou que não as identificou inicialmente. Segundo ele, quando o adolescente retornou ao centro cirúrgico, o médico constatou a presença das larvas e foram administrados antibióticos e outros medicamentos.
Ainda conforme o enfermeiro, após nova avaliação e procedimentos de assepsia, não foram encontradas larvas no curativo.
“Não temos como afirmar se elas apareceram aqui dentro, antes ou fora da unidade. Uma mosca pode pousar e deixar larvas, e isso pode acontecer em qualquer ambiente”, afirmou.
Após o atendimento, Vanderson retornou à unidade onde está internado. Segundo o hospital, ele deverá aguardar entre sete e 15 dias para a redução do inchaço e para realizar tratamento com antibióticos antes da cirurgia definitiva.
A diretora do Pronto-Socorro, Ângela Saboia, reconheceu que o município enfrenta dificuldades financeiras e afirmou que a unidade passa por uma reorganização de contratos e pagamentos.
Segundo ela, a prioridade é manter serviços considerados essenciais, incluindo limpeza e manutenção dos aparelhos de ar-condicionado.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que acompanha a assistência prestada ao adolescente e que a família está sendo informada sobre o quadro clínico e os cuidados necessários durante a internação.
O caso gerou questionamentos da família sobre as condições de higiene e assistência oferecidas na unidade. A situação deverá ser acompanhada pelas autoridades responsáveis para esclarecer as circunstâncias em que as larvas foram encontradas no curativo do adolescente.
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