Redação
O vereador Gilson da Agricultura (União Brasil), de Pedra Preta (a 243 km de Cuiabá), gerou polêmica em todo o estado após se referir à prefeita Iraci Ferreira (PSDB) como "cachorra viciada", enquanto defendia investimentos para assentamentos da região. A gestora teria enviado um projeto de lei para realocar recursos.
Segundo ele, durante a campanha eleitoral todos correm atrás do voto dos assentados, mas durante mandato acabam se esquecendo. Ele estendeu a mesma comparação a deputados que retornam às urnas em 2026, mas que só devem procurar os vereadores para serem cabos eleitorais.
"Tem que tomar vergonha na cara e não ficar fazendo na época de política, que nem cachorra viciada dentro dos assentamentos pedindo votos. Meu vocabulário é esse mesmo. Você acha que é fácil vereador de primeiro mandato que nem eu conseguir emenda com deputado? Não é fácil, porque R$ 750 mil ele divide em 5 cidades. Tem muito mais voto, mas pode ter certeza, ano que vem está igual cachorra viciada atrás dos vereadores de primeiro mandato para pedir apoio para eles", disparou enquanto usava a tribuna durante sessão ordinária de segunda-feira (25).
A fala gerou revolta na classe política. Presidente da Procuradoria da Mulher na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a deputada Janaina Riva (MDB) defendeu que o caso seja levado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) para a perda do mandato, pois no seu entendimento é um claro exemplo de violência política de gênero contra uma prefeita que merece respeito, pois foi eleita pelo voto popular.
"Eu queria entender o que é cachorra viciada? Nós vamos, através da Procuradoria da Mulher da ALMT, pedir que o Ministério Público pergunte para esse vereador o que é uma cachorra viciada. Porque fez essa comparação com uma prefeita [...] Isso é um absurdo, a mulher merece ser respeitada. Nosso repúdio a essa fala preconceituosa, criminosa, porque isso é violência política de gênero. Merece ficar inelegível, não podemos ficar passando pano", manifestou ela.
A declaração também não caiu nada bem dentro do União Brasil. A primeira-dama do Estado, Virginia Mendes, usou as redes sociais para repudiar a postura do vereador, que foi repreendido pelo partido por meio de nota. O União Brasil considerou a fala inadmissível e pontuou que a violência política de gênero é uma afronta à democracia.
"O União Brasil repudia veementemente todo e qualquer ato de violência política, em especial aqueles que buscam agredir, ofender, deslegitimar, intimidar ou silenciar a participação das mulheres", diz trecho do documento assinada pela deputada federal Gisela Simona, que é presidente da executiva do UB Mulher.
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