Redação
O número de famílias endividadas em Cuiabá e outras cidades de Mato Grosso chegou a 86,7% em janeiro de 2025, o maior patamar dos últimos três meses. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice representa um aumento de 0,3% em relação a dezembro de 2024 e ao mesmo período do ano passado, totalizando 180.207 famílias com as contas no vermelho.
A alta do endividamento é atribuída a fatores macroeconômicos, como a desvalorização do real frente ao dólar, o aumento da inflação e dos juros. Esse cenário tem tornado a gestão financeira um desafio para os consumidores, que veem suas dívidas comprometerem uma parcela cada vez maior da renda mensal.
Além disso, a dificuldade de acesso ao crédito agrava ainda mais a situação. Com juros elevados e restrições no mercado financeiro, muitas famílias recorrem a opções mais caras, como o rotativo do cartão de crédito, responsável por 83% das dívidas dos consumidores endividados em Cuiabá.
O aumento do endividamento tem gerado um efeito cascata negativo na economia de Mato Grosso. De acordo com uma pesquisa da Fecomércio-MT, houve uma retração de quase quatro pontos percentuais na intenção de consumo das famílias em comparação com o ano passado. A redução do consumo afeta diretamente a confiança dos empresários do comércio, que também registraram queda nas expectativas.
O economista Josué Coimbra destaca que o principal desafio da política econômica atual é equilibrar o controle da inflação sem prejudicar o crescimento econômico. Ele questiona se as medidas adotadas são realmente eficazes ou se apenas estão freando a atividade econômica sem atacar as causas estruturais do problema.
"Este será mais um ano de desafios para empresas, investidores e consumidores, que precisarão lidar com um cenário de incertezas e juros elevados", avalia Coimbra.
Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência registrou uma leve queda nos recortes mensal (-0,7%) e anual (-3,3%). Atualmente, 37.553 pessoas em Cuiabá estão inadimplentes, o que corresponde a pouco mais de 18% da população.
O cenário exige atenção das autoridades e da sociedade. Especialistas recomendam que os consumidores busquem educação financeira e estratégias para reequilibrar suas contas, enquanto o governo deve adotar medidas que garantam o controle da inflação sem comprometer a atividade econômica.
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