PF deflagra segunda fase da operação Sangradouro e investiga fraude na Funai



Por Rota Araguaia em 29/01/2025 às 08:47 hs

PF deflagra segunda fase da operação Sangradouro e investiga fraude na Funai
Foto: Polícia Federal

Redação

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29), a segunda fase da operação Sangradouro, que investiga um esquema de fraudes envolvendo servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e lideranças indígenas. O grupo é suspeito de forjar documentos para obtenção ilegal de aposentadorias.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Barra do Garças (MT), Piranhas (GO) e no Distrito Federal. Durante as diligências, os agentes apreenderam documentos, uma arma e munições.

Fraude milionária e prejuízo à União

A investigação começou em 2021 e revelou um esquema formado por servidores da Funai, cartorários, donos de correspondentes bancários e lideranças indígenas. Os envolvidos alteravam datas de nascimento nos documentos para simular o atendimento da idade mínima para aposentadoria rural, que exige 60 anos para homens e 55 para mulheres.

Segundo a PF, o esquema gerou um prejuízo estimado de R$ 64 milhões aos cofres públicos. Caso não fosse interrompido, o impacto poderia ultrapassar R$ 260 milhões, levando em conta a expectativa de vida do brasileiro, segundo o IBGE.

Como funcionava o esquema

  1. Falsificação documental – Servidores da Funai emitiam registros administrativos adulterados (RANI e Certidão de Exercício de Atividade Rural).
  2. Registro de nascimento falso – Os beneficiários usavam os documentos para obter certidões de nascimento nos cartórios.
  3. Emissão de documentos oficiais – Com as certidões falsas, conseguiam CPF e RG.
  4. Pedido de aposentadoria – Os indígenas fraudadores solicitavam aposentadorias indevidas ao INSS.
  5. Empréstimos consignados – Já aposentados, buscavam correspondentes bancários e faziam empréstimos no limite máximo permitido.

Primeira fase da operação

A primeira fase da operação ocorreu em 2023 e resultou em 19 ordens judiciais, incluindo 16 mandados de busca e apreensão, duas suspensões de servidores públicos e uma prisão.

A Polícia Federal segue com as investigações para responsabilizar todos os envolvidos. A Funai ainda não se pronunciou sobre o caso.



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