Redação
Um funcionário de um frigorífico foi preso em Inhumas, na Região Metropolitana de Goiânia, suspeito de furtar uma pedra de fel, um cálculo biliar encontrado na vesícula de bois e que pode valer tanto quanto o ouro. De acordo com a Polícia Civil, a pedra furtada estava avaliada em R$ 13,5 mil.
A prisão ocorreu na quinta-feira (16), após investigações apontarem o crime. Segundo a polícia, imagens das câmeras de segurança do frigorífico comprovaram o furto. O suspeito foi abordado e, durante a vistoria, os policiais encontraram a pedra escondida dentro de seu carro. Ele foi preso em flagrante e encaminhado à delegacia, onde foi autuado por furto qualificado.
Em depoimento, o funcionário confessou que já furtava as pedras há algum tempo, inclusive em outros estabelecimentos onde trabalhou. Até a última atualização desta reportagem, a defesa do suspeito não havia sido localizada.
Para entender o alto valor desse material, o g1 conversou com Mohanna Pagoto, auditora fiscal do Ministério da Agricultura e doutoranda na Universidade Federal de Goiás (UFG). Segundo ela, as pedras de fel são usadas na medicina tradicional chinesa para a produção de medicamentos que auxiliam no tratamento de convulsões, pneumonias, epilepsia e outras doenças.
Apesar de não haver demanda no Brasil, o material é exportado para a Ásia, onde atinge valores elevados no mercado farmacêutico.
A presença do cálculo biliar nos bovinos tem relação direta com a alimentação e idade do animal.
“Geralmente, os cálculos são formados em animais mais velhos e criados em pasto. Tudo depende da criação e alimentação do bovino”, explicou Mohanna.
Devido ao alto valor da pedra de fel, os frigoríficos adotam medidas rigorosas de segurança para evitar furtos. Todo o processo de retirada da vesícula biliar é monitorado por câmeras de segurança, e os funcionários não têm acesso ao conteúdo do órgão.
“No momento do corte da vesícula, uma câmera monitora o funcionário. Após o corte, o conteúdo da vesícula cai diretamente em uma tubulação, sem que o trabalhador veja o que há dentro”, detalhou Mohanna.
A tubulação leva o material até uma caixa fechada com cadeados, que só pode ser acessada por seguranças ao final do dia.
A Polícia Civil segue investigando se há outros envolvidos no esquema de furto de pedras de fel na região
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