Endividamento das famílias volta a subir em novembro, após 4 meses de queda, diz CNC

A proporção de famílias com contas a vencer avançou de 76,9% em outubro para 77,0% em novembro; parcela de consumidores que se consideram "muito endividados" caiu para 15,2%, o menor nível desde 2021


Por Rota Araguaia em 06/12/2024 às 09:26 hs

Endividamento das famílias volta a subir em novembro, após 4 meses de queda, diz CNC
Foto – Marcello Casal JR

Redação

 

Após quatro meses de queda, o endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer em novembro, alcançando 77,0% das famílias, frente aos 76,9% registrados em outubro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O economista-chefe em exercício da CNC, Fabio Bentes, atribuiu o aumento à maior utilização de crédito pelos consumidores para as compras de fim de ano. “Essa reversão já era esperada”, afirmou. O índice de novembro também foi superior ao registrado no mesmo mês de 2023, quando 76,6% das famílias estavam endividadas.

Apesar do aumento no endividamento, o levantamento apontou uma gestão mais cautelosa do orçamento. A proporção de consumidores que se consideram “muito endividados” caiu para 15,2%, o menor patamar desde novembro de 2021.

Inadimplência e comprometimento da renda

A inadimplência também apresentou uma leve alta, com 29,4% das famílias relatando contas em atraso em novembro, contra 29,3% em outubro. Já o percentual de famílias que declararam não ter condições de quitar suas dívidas vencidas subiu de 12,6% para 12,9%.

Apesar desse aumento, o comprometimento médio da renda com dívidas caiu para 29,8%, indicando que as famílias estão conseguindo equilibrar suas finanças, mesmo diante de juros elevados e maior necessidade de crédito no período de fim de ano.

A pesquisa destacou que o aumento nos prazos de pagamento das dívidas tem ajudado a reduzir a pressão sobre o orçamento das famílias. Em novembro, 35,9% das famílias relataram dívidas com prazo superior a um ano, o maior índice desde dezembro de 2021.

Diferenças entre as faixas de renda

O aumento no endividamento foi mais expressivo entre as famílias de baixa renda. No grupo com renda mensal de até três salários mínimos, a proporção de endividados subiu de 80,8% para 81,1%.

Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o índice de endividamento caiu de 67,1% para 66,7%, evidenciando maior resiliência financeira desse grupo.

Quanto à inadimplência, as famílias de menor renda também se destacaram, com 37,5% reportando atrasos no pagamento de contas em novembro. Nas famílias com renda acima de 10 salários mínimos, o índice foi significativamente menor, embora também tenha registrado alta, passando de 14,3% para 14,6%.

Perspectivas para dezembro

A CNC prevê um novo aumento no endividamento em dezembro, com o índice subindo para 77,2%, impulsionado pelas compras de Natal. No entanto, a confederação acredita que a inadimplência se estabilizará em 29,4%, à medida que as famílias continuam ajustando suas finanças ao cenário de juros elevados.

“Apesar do cenário desafiador, as famílias têm mostrado maior capacidade de gerenciar suas dívidas, refletindo um esforço significativo para manter o equilíbrio financeiro em meio às adversidades econômicas”, concluiu Fabio Bentes.



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