Presença de tambaqui no Rio Araguaia acende alerta para risco ambiental e econômico

Espécie invasora ameaça biodiversidade e pode comprometer pesca e turismo, alerta pesquisador da Universidade Estadual de Goiás


Por Rota Araguaia em 16/05/2026 às 18:43 hs

Presença de tambaqui no Rio Araguaia acende alerta para risco ambiental e econômico
Reprodução/Instagram Fabricio Teresa

Redação

 

A presença do tambaqui no Rio Araguaia tem gerado preocupação entre especialistas devido aos impactos ambientais e econômicos que a espécie pode causar na região. Originário da Bacia Amazônica, o peixe é considerado “oportunista” por se alimentar de uma ampla variedade de recursos, o que pode provocar desequilíbrio no ecossistema local.

Ao g1, o biólogo e professor da Universidade Estadual de Goiás, Fabrício Teresa, explicou que a rápida proliferação da espécie em águas goianas representa uma ameaça direta à biodiversidade.

“O risco ecológico tende, no longo prazo, também trazer riscos econômicos, já que o equilíbrio do ecossistema é o que garante que a gente tenha pesca e um ambiente conservado”, afirmou o pesquisador.

Segundo o professor, a presença do tambaqui no Araguaia é resultado provável de escapes de pisciculturas ocorridos há mais de uma década, principalmente após o rompimento de tanques durante períodos de chuvas intensas.

Estudos recentes apontam que a espécie já está plenamente estabelecida no rio e em fase de reprodução. Foram identificadas grandes populações, além da presença de ovos e larvas, descartando a hipótese de ocorrências isoladas.

Um dos principais fatores de preocupação é o comportamento alimentar do peixe. Por ser oportunista, o tambaqui consome desde frutas e plantas até larvas, pequenos organismos e até outros peixes, competindo diretamente com espécies nativas, como a caranha.

“Ele come o que tem disponível. Pode se alimentar de zooplâncton, ovos e larvas de peixes durante a piracema, o que afeta diretamente a reprodução das espécies nativas”, explicou Fabrício.

Além disso, o pesquisador alerta para o risco de hibridização — quando o tambaqui cruza com espécies locais — o que pode causar deterioração genética da fauna do Araguaia, além da introdução de parasitas para os quais os peixes nativos não possuem defesa.

Apesar de ser valorizado na pesca esportiva pelo porte e força, o especialista ressalta que o benefício imediato pode esconder prejuízos futuros. O desequilíbrio ambiental, segundo ele, pode comprometer a pesca tradicional e afetar o turismo na região.

Como medida de controle, a recomendação é que pescadores realizem o abate do peixe sempre que possível, prática permitida pela legislação como forma de conter o avanço da espécie invasora.

Para aprofundar os estudos, o professor coordena o projeto “O Invasor do Araguaia: estudo multidisciplinar dos padrões ecológicos e genéticos do tambaqui”, que analisa a dieta, reprodução e os impactos da espécie no ecossistema. A pesquisa busca subsidiar estratégias de manejo e conservação.

Nas redes sociais, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Biodiversidade e Uso Sustentável de Peixes Neotropicais (INCT Peixes), em parceria com o pesquisador, tem divulgado conteúdos sobre o avanço do tambaqui no Araguaia.

 

“Será que essa espécie, apesar de ser boa pra pescar, não vai fazer a gente pescar menos outras espécies que a gente quer?”, questionou o pesquisador. *com informações g1 MT



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