Conflito no Irã impacta exportações brasileiras ao Golfo e acende alerta no agronegócio

Fechamento do Estreito de Hormuz derruba vendas em março, afeta logística e pressiona comércio exterior


Por Rota Araguaia em 23/04/2026 às 11:02 hs

Conflito no Irã impacta exportações brasileiras ao Golfo e acende alerta no agronegócio
Reprodução

Redação

O fechamento do Estreito de Hormuz em meio à guerra no Irã interrompeu uma trajetória de crescimento das exportações brasileiras para países do Golfo Pérsico, importantes mercados para produtos minerais e do agronegócio.

Segundo dados da plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as vendas para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Bahrein e Omã caíram 31,47% em março na comparação anual, somando US$ 537,1 milhões.

Apesar da retração mensal, o saldo comercial de março foi positivo em US$ 41,4 milhões. No acumulado do primeiro trimestre, as exportações cresceram 8,14%, alcançando US$ 2,41 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 1,4 bilhão, gerando superávit de US$ 1 bilhão.

O agronegócio, responsável por cerca de 75% das exportações brasileiras para a região, registrou queda de 25,38% em março, embora mantenha alta de 6,8% no trimestre. Produtos como açúcar e milho foram fortemente afetados, enquanto o café e a carne bovina apresentaram desempenho positivo.

A carne bovina teve alta de 24,7% em março e avanço de 65,29% no trimestre. Já as exportações de carne de aves recuaram 13,8% no mês.

Segundo especialistas, além dos impactos diretos do conflito, o comércio sofreu com gargalos logísticos. O fechamento do estreito elevou o tempo das rotas marítimas, aumentou custos com frete, seguros e gerou a cobrança de “taxas de guerra” por transportadoras.

Felippe Serigati destacou que o avanço das exportações de carne bovina reflete principalmente valorização dos preços, e não aumento de volume embarcado.

Já o professor Celso Grisi avalia que, apesar das interrupções provocadas pelo conflito, o crescimento das exportações para países árabes é uma tendência estrutural, impulsionada pela demanda alimentar da região e pela competitividade do Brasil no mercado halal.

Entre os principais compradores seguem a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que concentram a maior parte das exportações brasileiras ao bloco.

No lado das importações, fertilizantes enviados pelos países do Golfo tiveram forte oscilação, com alta em março, mas queda significativa no trimestre. Segundo a Câmara Árabe-Brasileira, parte dos embarques do Qatar precisou ser feita por via aérea para contornar o bloqueio no estreito.

 

O cenário, segundo analistas, coloca em alerta setores estratégicos do comércio exterior brasileiro, especialmente diante do aumento dos custos logísticos e da instabilidade geopolítica na região.



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