Aprosoja MT alerta para impacto da alta do diesel no setor produtivo

Entidade afirma que aumento do combustível pressiona custos do agronegócio e defende avanço dos biocombustíveis e medidas emergenciais


Por Rota Araguaia em 10/03/2026 às 11:59 hs

Aprosoja MT alerta para impacto da alta do diesel no setor produtivo
Reprodução

Redação

 

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) manifestou preocupação com a recente elevação do preço do óleo diesel registrada em diferentes regiões do país. Segundo a entidade, o aumento ocorre em um momento delicado para o setor produtivo, marcado por custos elevados de produção, escassez de crédito, alto nível de endividamento e margens cada vez mais apertadas.

Na avaliação da associação, o diesel é um insumo estratégico para o agronegócio e para a economia brasileira. No campo, o combustível é essencial para o funcionamento de máquinas agrícolas, transporte de insumos e escoamento da produção. Além disso, grande parte da logística nacional depende do transporte rodoviário, o que amplia os efeitos da alta do combustível em toda a cadeia produtiva.

De acordo com a entidade, quando ocorre um aumento expressivo no preço do diesel, o impacto não se restringe ao produtor rural, atingindo também os custos de produtos que chegam ao consumidor final. Embora a formação de preços envolva fatores técnicos, como as variações do petróleo no mercado internacional — especialmente o indicador Brent —, a Aprosoja MT aponta que, em alguns momentos, os repasses ao mercado interno ocorrem de forma rápida, intensificando a pressão sobre os custos.

A entidade também destaca que o cenário evidencia uma fragilidade estrutural do país. Apesar de ser um grande produtor de petróleo, o Brasil ainda depende da importação de parte do diesel consumido, o que expõe a economia às oscilações do mercado internacional e a fatores geopolíticos que influenciam o preço do petróleo.

Diante desse contexto, a Aprosoja MT defende o fortalecimento da política de biocombustíveis como alternativa estratégica para reduzir a dependência externa e aumentar a segurança energética. Uma das propostas é ampliar a mistura de biodiesel ao diesel. Atualmente, o debate nacional discute o avanço para a mistura B17, mas a entidade avalia que o país pode considerar metas mais ambiciosas, como a mistura B20, ampliando o uso de combustíveis renováveis produzidos no próprio país, especialmente a partir da soja.

Além de soluções estruturais, a associação também considera legítimo discutir medidas emergenciais para reduzir os impactos da alta dos combustíveis em momentos de crise internacional. Como exemplo, a entidade cita ações adotadas em 2022, quando houve redução de tributos federais e ajustes nas alíquotas de ICMS em diversos estados para conter a escalada de preços.

Segundo a Aprosoja MT, os efeitos da alta do diesel vão além do agronegócio, pressionando o transporte, encarecendo alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais, além de gerar reflexos inflacionários na economia. Em um cenário de juros elevados, a combinação entre aumento de custos e restrição monetária pode tornar o ambiente econômico ainda mais desafiador.

 

Para a entidade, o enfrentamento desse problema exige rapidez e coordenação entre os governos, com medidas voltadas à redução da dependência externa, ampliação da produção de biocombustíveis e adoção de instrumentos fiscais temporários para garantir estabilidade econômica e competitividade produtiva no país.



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