Redação
Uma investigação da ONG ambiental Greenpeace denunciou o pecuarista Mauro Fernando Schaedler por criar gado ilegal na Terra Indígena Pequizal do Naruvôtu, localizada entre os municípios de Canarana e Gaúcha do Norte (MT). Segundo a denúncia divulgada na última quinta-feira (25), o rebanho criado na área invadida foi comercializado com frigoríficos da JBS, com destino inclusive à União Europeia.
Em nota, a JBS afirmou que realizou auditoria interna e que todas as compras seguiram os critérios da Política de Compra Responsável de Matéria-Prima. A empresa informou ainda ter bloqueado preventivamente a Fazenda Itapirana e solicitado esclarecimentos ao produtor.
De acordo com o Greenpeace, Schaedler é dono das fazendas Três Coqueiros II e Itapirana e estaria envolvido em práticas de “lavagem de gado” — quando animais criados em áreas ilegais, como terras indígenas, são transferidos para propriedades sem restrições e vendidos aos frigoríficos como se fossem de origem regular.
Entre 2018 e fevereiro de 2025, mais de 1,2 mil cabeças de gado foram transferidas da Fazenda Três Coqueiros II, embargada pelo Ibama em 2023, para a Fazenda Itapirana. As propriedades do pecuarista acumulam multas ambientais que somam R$ 3,1 milhões.
Segundo a investigação, a unidade da JBS em Barra do Garças, única da cidade habilitada a exportar carne à União Europeia, recebeu pelo menos 216 bois da Fazenda Itapirana entre 2018 e 2021. Dados alfandegários apontam que a carne pode ter sido enviada a países como Espanha, Alemanha, Itália, Países Baixos e Reino Unido.
Outro frigorífico da JBS, em Água Boa, recebeu 2.640 bovinos da mesma fazenda entre 2019 e 2025, com exportações destinadas a diversos países, incluindo Hong Kong.
O território dos Naruvôtu foi reconhecido pela Funai em 2006 e homologado pelo Governo Federal em 2016. Desde então, fazendeiros da região, entre eles Schaedler, contestam a demarcação na Justiça. Em 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou a validade da Terra Indígena Pequizal do Naruvôtu.
Para o Greenpeace, a denúncia reforça a responsabilidade de grandes corporações no avanço do desmatamento e na violação de direitos indígenas. “O lucro não está acima da vida”, destacou a ONG.
Íntegra da nota da JBS
"O Greenpeace falhou em demonstrar o trânsito do gado da fazenda Três Coqueiros para as fábricas da JBS. Auditoria das compras apontadas pelo Greenpeace constatou que todas seguiram a Política de Compra Responsável de Matéria Prima da Companhia e o protocolo setorial.
Ainda assim, diante das informações apresentadas pela "investigação", a JBS bloqueou preventivamente a Fazenda Itapirana e solicitou esclarecimento ao produtor.
A JBS monitora 100% dos seus fornecedores por meio de imagens de satélite de alta resolução e cruzamento de informações de bases oficiais. Desde 2021, a companhia implementou a Plataforma Pecuária Transparente, que utiliza tecnologia blockchain e permite aos fornecedores da JBS verificar a conformidade de seus próprios fornecedores, assim enfrentando o desafio setorial de acesso à informação -- a indústria não tem acesso a Guias de Trânsito Animal como as que foram utilizadas nessa investigação".
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/7/s/VnYQE3SHqQP0hvxd0S9A/whatsapp-image-2025-09-27-at-14.55.48.jpeg)
Registro de fornecimento de gado da Fazenda Itapirana para o frigorífico da JBS de Barra do Garças em 2018 — Foto: Friboi
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/k/z/WYzm7tR5SU7iNgzL2gsQ/whatsapp-image-2025-09-27-at-15.13.10.jpeg)
Registro de fornecimento de gado da Fazenda Itapirana para o frigorífico da JBS de Água Boa neste ano — Foto: Friboi
Cadastre-se agora mesmo em nosso guia comercial, conheça agora mesmo nossos planos !