Redação
Mais de um terço dos universitários brasileiros está endividado com instituições de ensino. É o que aponta levantamento da Serasa em parceria com a plataforma de pesquisa MindMiners, divulgado em julho. Segundo os dados, 35% dos estudantes têm mensalidades em atraso, muitas delas acumuladas por mais de dois anos.
O desemprego aparece como a principal causa (22%), seguido por problemas pessoais ou familiares (13%) e redução de renda (9%). Entre os endividados, 34% devem valores que superam cinco mensalidades. O impacto financeiro vai além da sala de aula: 62,3% dos alunos possuem outras dívidas, como cartões de crédito (55%), contas básicas (36%) e empréstimos pessoais (32%).
As consequências refletem na saúde mental. Quase metade (48%) dos entrevistados relatou sintomas como ansiedade, insônia e estresse, enquanto 45% afirmaram ter adiado planos importantes de vida devido às dívidas.
Outro estudo, da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), revelou que cerca de 986 mil jovens entre 18 e 35 anos deixaram de ingressar em um curso superior em 2025 devido a gastos com apostas on-line, como o chamado “jogo do tigrinho”. A pesquisa mostra que 34% desse público adiou a graduação, com maior impacto nas famílias de classes D e E.
O Nordeste foi a região mais afetada, com 44% dos jovens adiando os estudos, seguido pelo Sudeste, com 41%.
A servidora pública Lorrana Pádua, 31, conta que sonhava em melhorar de vida por meio do diploma em engenharia civil, mas encontrou dificuldades para quitar o financiamento estudantil. “Demorei muito para conseguir emprego e, quando as cobranças começaram, fiquei angustiada, perdia o sono. Solicitei refinanciamento e, até hoje, pago as parcelas”, relata.
Já a assistente administrativa Larissa Rezende, 30, precisou trancar o curso de publicidade e propaganda no quinto semestre, em 2015, por não conseguir arcar com as mensalidades. “A dívida chegou a R$ 6 mil e nunca consegui quitar. Isso me gerou ansiedade e frustração, mas ainda sonho em voltar à faculdade”, disse.
De acordo com a psicóloga Kenia Ramos, as dificuldades financeiras comprometem o desempenho acadêmico. “O estresse consome energia mental, reduz a concentração e pode levar ao abandono do curso. O trancamento, muitas vezes visto como derrota, pode ser estratégico para preservar a saúde mental”, explica.
Para o especialista em finanças Matheus Oka, o problema está ligado à falta de preparo financeiro. “Muitos jovens têm acesso facilitado a crédito, mas não sabem lidar com conceitos básicos de finanças. É essencial aprender a poupar, investir e avaliar o retorno do curso”, orienta.
O presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), Juliano Griebeler, destacou que instituições têm buscado estratégias para reduzir a evasão, como flexibilização de dívidas, bolsas de estudo e participação em programas governamentais.
Apesar das dificuldades, a pesquisa da Serasa aponta esperança: 64% dos estudantes acreditam que conseguirão negociar as pendências nos próximos dois anos. Para nove em cada dez, quitar as dívidas com a universidade ainda é prioridade.
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