Megaoperação combate adulteração de combustíveis em dez estados

R$ 8,67 bilhões em impostos sonegados foram movimentados por fintechs que dificultavam o rastreamento


Por Rota Araguaia em 28/08/2025 às 10:19 hs

Megaoperação combate adulteração de combustíveis em dez estados
(Foto: Freepik)

Redação

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (28/8) a Operação Carbono Oculto, uma das maiores já realizadas contra o crime organizado no país. A ação cumpre 200 mandados de busca, apreensão e prisão contra 350 alvos envolvidos em um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, supostamente controlado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 17,7 bilhões em importações e teria sonegado R$ 1,4 bilhão em impostos federais. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 7,6 bilhões em bens e ativos na tentativa de recuperar tributos estaduais.

Fraude com metanol e risco à população

O principal foco da investigação é a importação irregular de metanol, produto químico altamente inflamável usado para adulterar combustíveis. O material chegava pelo Porto de Paranaguá (PR) e era desviado antes de chegar aos destinatários registrados em nota fiscal.

Segundo a PF, o transporte era feito de forma clandestina, com documentos falsos e sem condições mínimas de segurança, colocando em risco motoristas, pedestres e o meio ambiente.

O metanol era distribuído a postos e distribuidoras controlados pela organização criminosa, usados para adulterar gasolina e etanol e aumentar ilegalmente a margem de lucro. Mais de 300 postos em diferentes estados já foram identificados no esquema.

Estrutura nacional e participação de empresas de fachada

A operação mobilizou 1.400 agentes públicos e está sendo executada em 10 estados, entre eles Goiás, São Paulo, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

O grupo utilizava importadoras de fachada para trazer nafta, hidrocarbonetos e diesel do exterior. O financiamento era feito por formuladoras e distribuidoras também ligadas à organização. Entre 2020 e 2024, estima-se que mais de R$ 10 bilhões em combustíveis foram importados de forma ilegal.

Depois da adulteração, a venda ocorria sem o recolhimento de tributos, permitindo que os postos controlados pelo esquema vendessem a preços mais baixos, prejudicando a concorrência.

Lavagem de dinheiro por fintechs

As investigações também apontaram o uso de fintechs criadas por laranjas para movimentar os lucros ilícitos. Essas plataformas digitais facilitavam transferências e pagamentos sem a identificação dos beneficiários finais, dificultando o rastreamento e favorecendo a lavagem de dinheiro.

Bloqueio de bens e prejuízo fiscal

Entre os bens bloqueados pela Justiça estão imóveis, empresas e veículos de luxo, somando mais de R$ 1 bilhão.

 

A Receita Federal identificou ainda que R$ 8,67 bilhões em impostos federais deixaram de ser recolhidos em razão da atuação do grupo, valor que corresponde a tributos de importação, produção e venda de combustíveis adulterados.



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