Venda de planta de níquel em Goiás coloca Brasil no centro de disputa geopolítica entre China e Europa



Por Rota Araguaia em 26/08/2025 às 14:52 hs

Venda de planta de níquel em Goiás coloca Brasil no centro de disputa geopolítica entre China e Europa
Divulgação

Redação

Uma transação de US$ 500 milhões envolvendo a venda de uma planta de níquel da Anglo American, em Barro Alto (GO), colocou o Brasil no centro de uma disputa geopolítica por minerais estratégicos. O negócio marcou a entrada da estatal chinesa MMG no mercado brasileiro, com a aquisição da unidade em Barro Alto, outra em Niquelândia e dois projetos adicionais em desenvolvimento no Pará e em Mato Grosso.

A operação, revelada pela Folha de S. Paulo, gerou reação da europeia Corex Holding, controlada pelo bilionário turco Robert Yüksel Yıldırım, que afirma ter oferecido US$ 900 milhões pelos mesmos ativos — quase o dobro do valor pago pela empresa chinesa. A Corex acionou a Comissão Europeia e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no Brasil, alegando risco de concentração de mercado e de segurança de suprimento para a União Europeia.

“Meu preço foi de US$ 900 milhões. Quando você dá um valor muito superior, espera ao menos uma ligação explicando”, declarou Yıldırım ao jornal.

A corrida pelo níquel

O níquel é considerado essencial para a transição energética global, por sua aplicação em ligas metálicas e baterias de veículos elétricos. Com a aquisição, a Corex estima que empresas ligadas à China passem a controlar mais de 60% da oferta mundial do mineral.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Extrativas de Goiás (SIEEG), Luiz Antônio Vessani, o caso reforça o valor estratégico das reservas goianas. “Nós temos todo esse arsenal de insumos que Japão, China, Estados Unidos e Europa estão buscando. Níquel, cobre, ouro e terras raras estão no centro dessa disputa”, afirmou.

Ele também alertou para os riscos da falta de reação do governo federal frente às tarifas adicionais impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros. “Se não houver negociação firme, os americanos podem buscar alternativas fora do Brasil, o que pode gerar desemprego aqui”, destacou.

Goiás no radar global

Além do níquel, o estado possui um dos únicos depósitos de terras raras em argila iônica fora da Ásia, localizado em Minaçu, considerado estratégico para setores como defesa, indústria aeroespacial e tecnologias verdes. O secretário estadual Joel Sant’Anna Braga já havia confirmado o interesse crescente de países como Japão e Estados Unidos nas jazidas goianas.

Para ele, Goiás pode se tornar um polo internacional de extração e beneficiamento de minérios raros, atraindo investimentos de longo prazo e empregos qualificados.

Próximos capítulos

O Cade deve avaliar os impactos da entrada da MMG no mercado brasileiro, enquanto a Comissão Europeia analisa se abre investigação formal sobre a operação. Especialistas avaliam que a transação pode ser apenas o início de uma nova onda de tensões internacionais em torno dos minerais críticos do Brasil.

 

Os riscos para a economia regional de Goiás nesse cenário podem ser divididos em alguns pontos:

Riscos diretos

  1. Concentração estrangeira – Se o controle das minas ficar nas mãos da estatal chinesa, pode haver menos concorrência e, consequentemente, menos espaço de negociação para o governo e para empresas brasileiras.

  2. Exportação bruta – Existe o risco de que o níquel e outros minerais saiam de Goiás apenas como matéria-prima, sem gerar cadeias produtivas locais (metalurgia, indústria de baterias, tecnologia). Isso limitaria a geração de empregos qualificados no estado.

  3. Dependência externa – Se a China decidir reduzir investimentos ou mudar estratégias globais, Goiás poderia ficar vulnerável a oscilações de mercado.

  4. Queda de arrecadação – Caso ocorram mudanças tributárias, isenções ou transferências de lucros para fora do país, o estado pode arrecadar menos do que o potencial.

Riscos geopolíticos

  1. Tensões internacionais – Com a Europa e os EUA pressionando contra a entrada da China, Goiás pode ficar no meio de disputas diplomáticas, o que pode travar novos investimentos.

  2. Tarifas comerciais – Se países como os EUA aumentarem tarifas sobre minérios brasileiros, o escoamento da produção pode se tornar mais caro, afetando diretamente as empresas instaladas em Goiás.

Impactos sociais e de mercado

  1. Empregos em risco – Caso não haja contrapartidas exigindo beneficiamento local, a mineração pode gerar empregos temporários e de baixa remuneração, em vez de carreiras técnicas e industriais.

  2. Descompasso no desenvolvimento – A dependência de poucos grandes players estrangeiros pode limitar a diversificação econômica de Goiás, mantendo o estado preso ao “ciclo do minério”.

 

Em resumo: Goiás pode ganhar investimentos rápidos, mas também corre o risco de virar apenas um fornecedor bruto para interesses externos, sem aproveitar ao máximo o potencial estratégico que tem.



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