Redação
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) deve realizar, nesta terça-feira (9), uma perícia técnica na imagem da Nossa Senhora das Dores, localizada na Igreja do Rosário, no centro histórico de Pirenópolis, cidade tombada como patrimônio nacional. A decisão ocorre após a restauração da escultura, que gerou polêmica entre os fiéis e denúncias ao instituto.
A imagem, datada do século XVIII, é conhecida por sua expressão de profundo sofrimento e compõe o acervo sacro protegido pelo Iphan. No entanto, após a recente intervenção, fiéis apontaram mudanças significativas, como a aplicação de tons avermelhados nas bochechas, maquiagem nos olhos e o apagamento de características originais — como as lágrimas mais destacadas e as sobrancelhas curvadas, tradicionalmente associadas à dor da santa.
O Iphan informou que a intervenção na imagem não foi autorizada e que nenhuma solicitação de restauração foi comunicada previamente à equipe técnica. Em nota, o órgão destacou que a escultura, assim como o prédio da igreja, é tombada individualmente, sendo necessária a autorização prévia para qualquer alteração.
“A inspeção será realizada pela restauradora Vyrginia Corradi, especialista do Iphan, para avaliar os danos causados e levantar informações sobre o procedimento realizado sem o acompanhamento de um técnico habilitado”, diz o comunicado.
A Diocese de Anápolis, responsável pelas igrejas da cidade, afirmou que a imagem será colocada à disposição do Iphan para os devidos esclarecimentos e perícia. Segundo o órgão, um ofício foi enviado ao padre responsável e ao bispo diocesano solicitando explicações sobre a intervenção.
“O que se observa pelas imagens é que houve, sim, alteração significativa nas características originais da escultura, o que representa um possível dano ao patrimônio”, afirmou a chefe substituta do escritório do Iphan, em entrevista à TV Anhanguera.
Além da perícia, o Iphan estipulou um prazo de 15 dias para que a Diocese preste esclarecimentos formais sobre o ocorrido. Em março deste ano, uma restauradora do instituto esteve na igreja e não foi informada sobre qualquer necessidade de restauração na imagem da santa.
A polêmica reacendeu o debate sobre a importância da preservação de bens culturais tombados e os riscos de intervenções sem respaldo técnico.
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