Médicos cogitaram interromper tratamento para o papa "morrer em paz"

Após 38 dias internado, o papa recebeu alta no domingo (23/3). Seu médico relatou dilemas entre tentar todas as terapias possíveis ou deixar o papa morrer em paz


Por Rota Araguaia em 25/03/2025 às 14:39 hs

Médicos cogitaram interromper tratamento para o papa
Tiziana FABI/AFP

Redação

A gravidade do quadro de pneumonia do Papa Francisco, de 88 anos, levou os médicos a considerar a interrupção do tratamento. Segundo o chefe da equipe médica do pontífice, essa decisão permitiria que ele morresse "em paz". O papa ficou internado por 38 dias no hospital Gemelli, em Roma, e recebeu alta no último domingo (23/3).

Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, concedida nesta terça-feira (25/3), o médico Sergio Alfieri revelou detalhes do momento crítico da internação. "Pela primeira vez vi lágrimas nos olhos de algumas pessoas ao seu redor. Pessoas que, percebi durante esse período de internação, o amam sinceramente, como um pai. Estávamos todos cientes de que a situação havia piorado ainda mais e que havia um risco real de que ele não sobrevivesse", relatou.

Decisão médica

Mesmo nos momentos mais delicados, Francisco permaneceu consciente e ciente da gravidade de seu estado de saúde. "Aquela noite foi terrível. Ele sabia, assim como nós, que talvez não sobrevivesse. Vimos que estava sofrendo. Mas desde o primeiro dia ele nos pediu para lhe contar a verdade", afirmou Alfieri.

A decisão sobre interromper o tratamento ou tentar todas as terapias disponíveis foi amplamente discutida. "Tivemos que escolher entre parar e deixá-lo ir, ou forçá-lo e tentar todos os medicamentos e terapias possíveis, correndo o risco muito alto de danificar outros órgãos. No final, optamos por continuar lutando", explicou o médico.

A escolha foi tomada em conjunto com o assistente pessoal do papa, Massimiliano Strappetti. "'Tente de tudo, não desista'. Foi o que todos nós pensamos também. E ninguém desistiu", destacou o assistente.

Fé e bom humor na recuperação

Segundo Alfieri, a recuperação do pontífice foi impulsionada tanto pelo tratamento médico quanto pela força espiritual e pelo bom humor. "Ele costuma dizer: 'Ainda estou vivo'. 'Não se esqueça de viver e manter o bom humor'. Ele tem um corpo cansado, mas a mente é a de um homem de 50 anos", concluiu o médico.

O Papa Francisco segue se recuperando e retomando suas atividades gradualmente.



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