Lula sanciona lei que cancela retorno do seguro obrigatório DPVAT

Extinto em 2019, seguro obrigatório seria retomado no ano que vem. Nova lei, suspendendo esse retorno, foi aprovada em meio ao pacote de corte de gastos do governo federal.


Por Rota Araguaia em 31/12/2024 às 16:06 hs

Lula sanciona lei que cancela retorno do seguro obrigatório DPVAT
Reprodução

Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (31) a lei que revoga o retorno do seguro obrigatório para veículos, conhecido como DPVAT. Com isso, a cobrança do seguro não será retomada em 2025.

O DPVAT foi extinto em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), e havia sido reintroduzido em 2024, sob o novo nome de SPVAT, após aprovação do Congresso e sanção de Lula. A proposta original visava arrecadar recursos para custear os impactos de acidentes de trânsito no Sistema Único de Saúde (SUS), na Previdência Social e em outros serviços públicos.

Motivos da revogação

Apesar da expectativa de geração de receitas, governadores de diversos estados declararam que não cobrariam o seguro em suas regiões. Diante disso, o governo federal optou por apoiar a revogação da medida, conforme explicado pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Em 2018, último ano de vigência plena, o DPVAT gerou uma arrecadação de R$ 4,6 bilhões, com valores que variavam de R$ 16,21 para carros de passeio a R$ 84,58 para motos. Os recursos financiavam o SUS, ações de educação no trânsito e indenizações por acidentes.

Impactos no pacote fiscal

O cancelamento do retorno do seguro foi incluído no projeto do pacote fiscal aprovado pelo Congresso. Embora reduza a previsão de arrecadação, a proposta estabelece mecanismos para conter gastos públicos e ajustar as contas do governo.

Entre as medidas sancionadas estão:

  • Criação de gatilhos fiscais: Em caso de contas públicas deficitárias, o governo poderá congelar até 15% das emendas parlamentares não impositivas.
  • Utilização de saldos de fundos nacionais: Recursos acumulados poderão ser direcionados para abater a dívida pública.

O Ministério da Fazenda estima que o conjunto de medidas do pacote fiscal, incluindo a revogação do DPVAT, possa gerar uma economia de R$ 375 bilhões até 2030.

Reações e contexto

O debate sobre o retorno do DPVAT gerou divergências entre governadores, parlamentares e especialistas. De um lado, havia preocupações sobre os custos adicionais aos motoristas e a gestão dos recursos. De outro, destacava-se a importância do financiamento para programas de saúde e educação no trânsito.

Com a sanção da nova lei, o governo encerra a polêmica sobre o retorno do seguro obrigatório e reforça o compromisso com o ajuste fiscal, ainda que com impactos na arrecadação futura.



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