Redação
Nos últimos quatro anos, emergências do Sistema Único de Saúde (SUS) registraram uma média de 22 atendimentos diários a vítimas de sinistros de trânsito. De 2019 a 2023, foram 792.203 atendimentos, com um custo estimado de R$ 1,2 bilhão e 438 mil diárias em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Os dados foram obtidos pelo R7 por meio da Lei de Acesso à Informação junto ao Ministério da Saúde.
De acordo com o levantamento, a demanda por UTIs para vítimas de trânsito aumentou 22,35% de 2019 a 2023. O Ministério da Saúde classifica os sinistros como um grave problema de saúde pública global.
“Ações do setor de saúde devem ser complementadas pela atuação de órgãos de trânsito, educação e planejamento urbano para reduzir os impactos à vida e ao SUS”, afirmou a pasta em nota. Além disso, o governo aposta em campanhas educativas e inovação tecnológica na gestão de recursos e unidades hospitalares.
Especialistas apontam que os sinistros de trânsito geram perdas significativas para a economia e a sociedade. Segundo José Montal, diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), acidentes poderiam ser prevenidos com medidas mais eficazes.
“O Brasil investe de 3% a 5% do PIB em custos relacionados aos sinistros. Isso representa um ônus enorme para um país em desenvolvimento”, analisou. Ele destacou que as principais vítimas são homens jovens, entre 18 e 30 anos, especialmente usuários de motocicletas.
A pesquisadora Zuleide Feitosa, da Universidade de Brasília (UnB), reforça a perda de produtividade econômica: “Jovens adultos são as principais vítimas, representando uma perda irreparável na pirâmide produtiva e um impacto direto às famílias.”
Especialistas concordam que a velocidade excessiva é um dos principais fatores de risco. Estudos, como a “Curva de Ashton”, demonstram que atropelamentos a 30 km/h têm alta taxa de sobrevivência, enquanto acidentes acima de 60 km/h são majoritariamente fatais.
“Os gestores públicos precisam considerar essas variáveis ao planejar o trânsito, como a redução da velocidade em áreas urbanas e a instalação de medidas de moderação de tráfego”, defende Montal.
Ademar Gondim, professor de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará, destaca a necessidade de conscientização e educação dos motoristas, além de melhorias na infraestrutura das cidades. “O trânsito exige disciplina e sinalização eficaz. Antes de receber a CNH, motoristas deveriam vivenciar o impacto dos acidentes em hospitais para compreender a gravidade”, sugeriu.
O secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, ressalta que mudanças culturais e estruturais são essenciais. Ele defende campanhas de conscientização, como o tema de 2024: “Desacelere. Seu bem maior é a vida.”
O Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), com meta de reduzir em 50% as mortes no trânsito até 2030, prevê ações intersetoriais entre União, estados e municípios. Entre as medidas estão a reestruturação de vias, criação de contornos rodoviários e estratégias para moderação de velocidade.
“É essencial engajar a sociedade e reforçar a importância de políticas públicas que priorizem a segurança no trânsito”, concluiu Catão.
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