Emergências do SUS recebem, em média, 22 vítimas de trânsito por hora desde 2019 no Brasil

Gastos com vítimas de trânsito chegam a R$ 1,2 bilhão entre 2019 e 2023; especialistas comentam impactos econômicos e na vida da população


Por Rota Araguaia em 26/12/2024 às 12:35 hs

Emergências do SUS recebem, em média, 22 vítimas de trânsito por hora desde 2019 no Brasil
Reprodução

Redação

Nos últimos quatro anos, emergências do Sistema Único de Saúde (SUS) registraram uma média de 22 atendimentos diários a vítimas de sinistros de trânsito. De 2019 a 2023, foram 792.203 atendimentos, com um custo estimado de R$ 1,2 bilhão e 438 mil diárias em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Os dados foram obtidos pelo R7 por meio da Lei de Acesso à Informação junto ao Ministério da Saúde.

Crescimento alarmante

De acordo com o levantamento, a demanda por UTIs para vítimas de trânsito aumentou 22,35% de 2019 a 2023. O Ministério da Saúde classifica os sinistros como um grave problema de saúde pública global.

“Ações do setor de saúde devem ser complementadas pela atuação de órgãos de trânsito, educação e planejamento urbano para reduzir os impactos à vida e ao SUS”, afirmou a pasta em nota. Além disso, o governo aposta em campanhas educativas e inovação tecnológica na gestão de recursos e unidades hospitalares.

Consequências econômicas e sociais

Especialistas apontam que os sinistros de trânsito geram perdas significativas para a economia e a sociedade. Segundo José Montal, diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), acidentes poderiam ser prevenidos com medidas mais eficazes.

“O Brasil investe de 3% a 5% do PIB em custos relacionados aos sinistros. Isso representa um ônus enorme para um país em desenvolvimento”, analisou. Ele destacou que as principais vítimas são homens jovens, entre 18 e 30 anos, especialmente usuários de motocicletas.

A pesquisadora Zuleide Feitosa, da Universidade de Brasília (UnB), reforça a perda de produtividade econômica: “Jovens adultos são as principais vítimas, representando uma perda irreparável na pirâmide produtiva e um impacto direto às famílias.”

Velocidade: a grande vilã

Especialistas concordam que a velocidade excessiva é um dos principais fatores de risco. Estudos, como a “Curva de Ashton”, demonstram que atropelamentos a 30 km/h têm alta taxa de sobrevivência, enquanto acidentes acima de 60 km/h são majoritariamente fatais.

“Os gestores públicos precisam considerar essas variáveis ao planejar o trânsito, como a redução da velocidade em áreas urbanas e a instalação de medidas de moderação de tráfego”, defende Montal.

Educação e infraestrutura

Ademar Gondim, professor de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará, destaca a necessidade de conscientização e educação dos motoristas, além de melhorias na infraestrutura das cidades. “O trânsito exige disciplina e sinalização eficaz. Antes de receber a CNH, motoristas deveriam vivenciar o impacto dos acidentes em hospitais para compreender a gravidade”, sugeriu.

O secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, ressalta que mudanças culturais e estruturais são essenciais. Ele defende campanhas de conscientização, como o tema de 2024: “Desacelere. Seu bem maior é a vida.”

Caminho para soluções

O Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), com meta de reduzir em 50% as mortes no trânsito até 2030, prevê ações intersetoriais entre União, estados e municípios. Entre as medidas estão a reestruturação de vias, criação de contornos rodoviários e estratégias para moderação de velocidade.

“É essencial engajar a sociedade e reforçar a importância de políticas públicas que priorizem a segurança no trânsito”, concluiu Catão.

 



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