Redação
No Brasil, onde o turismo precisa de um impulso, os cruzeiros são recebidos com entusiasmo, beneficiando o comércio local, restaurantes e agências de turismo, especialmente nas paradas em destinos como o litoral carioca.
Contudo, essa recepção calorosa é uma exceção no cenário global. Em cidades da Europa e dos Estados Unidos, a presença de grandes navios de cruzeiro tem sido cada vez mais contestada. A superlotação causada pelos desembarques simultâneos de milhares de passageiros resulta em impactos sociais e ambientais que levaram algumas das cidades turísticas mais populares a limitarem ou até proibirem o desembarque dos navios.
Veneza, por exemplo, pioneira no movimento anticruzeiros, proibiu em 2021 a passagem de grandes embarcações no canal que cruza a cidade, após evidências de que o deslocamento das águas estava comprometendo a estrutura de construções históricas. A Unesco chegou a ameaçar retirar Veneza da lista de Patrimônio Mundial caso a cidade não tomasse medidas para conter o turismo de massa. Desde então, a iniciativa de Veneza tem servido de exemplo, sendo replicada em outras cidades, como Amsterdã, que também proibiu cruzeiros para reduzir o excesso de turistas e aliviar o impacto na infraestrutura local. “O problema não é apenas o número de pessoas, mas o fato de desembarcarem todas ao mesmo tempo, causando um colapso urbano, quase como uma praga de gafanhotos”, comparou uma das líderes do movimento em Amsterdã.
Além da Europa, algumas cidades dos Estados Unidos também começaram a tomar medidas. Key West, na Flórida, por exemplo, tentou proibir os cruzeiros, mas, devido a pressões políticas, acabou restringindo o número de navios que atracam diariamente. Em Bar Harbor, no Maine, a limitação é ainda mais rigorosa, com o número de passageiros desembarcados não ultrapassando 1.000 por vez. Já Monterrey, na Califórnia, encontrou uma solução inusitada: a cidade deixou de oferecer funcionários para o serviço de desembarque, obrigando as empresas marítimas a assumirem esse custo e, com isso, desestimulando a parada de navios no local.
As reclamações das cidades seguem uma lógica comum: os passageiros dos cruzeiros ficam por poucas horas e muitas vezes não consomem nos restaurantes locais, optando pelas refeições inclusas a bordo. O desafio está em equilibrar a necessidade de obter recursos com o desejo de preservar a qualidade de vida dos moradores e o meio ambiente.
No Brasil, ainda não enfrentamos essa dificuldade. Com uma temporada que promete nove navios e a expectativa de mais de 300 mil turistas, o turismo de cruzeiros pode ser uma poderosa alavanca econômica. Entretanto, considerando o crescimento do setor, especialistas apontam que o país deve se preparar para que o impacto dos cruzeiros se mantenha positivo e sustentável, sem que o turismo de massa cause os mesmos transtornos já vivenciados em outras partes do mundo.
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