Grávida com doença nas articulações denuncia que teve benefício do INSS cortado após perito ironizar que, se ela engravidou, pode trabalhar

Mulher trabalhava como balconista de farmácia e, desde 2021, está afastada devido a um quadro de dores intensas no quadril. Paciente usa cadeira de rodas por recomendação médica.


Por Rota Araguaia em 25/10/2024 às 15:24 hs

Grávida com doença nas articulações denuncia que teve benefício do INSS cortado após perito ironizar que, se ela engravidou, pode trabalhar
Foto: Reprodução

Redação

 

Uma balconista de farmácia, afastada do trabalho desde 2021 por um quadro de coxoartrose, teve seu benefício de auxílio-doença negado em nova perícia do INSS realizada na última terça-feira (22), em Goiânia. A mulher, que preferiu não se identificar, está grávida de três meses e, por recomendação médica, utiliza cadeira de rodas para aliviar as dores no quadril e facilitar a locomoção. Durante a avaliação, o perito alegou que a condição dela não justificava o uso da cadeira de rodas e que, em sua opinião, uma bengala seria suficiente.

No laudo, o perito destacou que a mulher compareceu a todas as perícias usando a cadeira de rodas e afirmou que o uso do equipamento seria uma forma de “metasimulação”. Ele também sugeriu que a coxoartrose, que “supostamente” a impede de caminhar desde 2021, não a impediu de engravidar, atividade que ele considerou mais exigente para a articulação afetada. Além disso, concluiu que ela poderia retornar ao trabalho.

“Fiquei muito constrangida. Eu não tive nem reação de responder. Pensei em comentar que a dor sou eu quem sinto, mas ele disse: ‘Simplesmente uma bengala’. Ele não está sentindo o que eu sinto”, contou a mulher. Segundo ela, o quadro de dor e limitação persiste, e um laudo emitido em maio deste ano indica a necessidade de cirurgia no quadril.

Espera por cirurgia

A Secretaria de Estado de Goiás informou que a paciente tem pedido de cirurgia ortopédica autorizado para execução no Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) e está atualmente na posição 42 da fila de espera, que é dinâmica e varia conforme a gravidade dos casos. A SES orientou que, em caso de agravamento, a paciente procure uma unidade de saúde para reavaliação e possível encaminhamento para uma unidade especializada.

Deslocamento e sobrecarga

Poliana Venâncio, advogada da balconista, explicou que a cliente mora em Goianira e precisou vir a Goiânia para a perícia. “Ela fez o deslocamento de ônibus, e o uso da cadeira de rodas é essencial para não agravar ainda mais o problema, especialmente nesses deslocamentos”, afirmou Poliana.

Respostas das autoridades

Em nota, o Ministério da Previdência Social informou que usuários insatisfeitos com o resultado de uma perícia podem solicitar nova avaliação. Para denúncias de desrespeito, existe um canal eletrônico que encaminha o caso ao Comitê de Ética e à Corregedoria, que investigará minuciosamente a denúncia. A pasta afirmou ainda seu compromisso com um atendimento digno e capacitado.

A Secretaria de Estado de Saúde de Goiás reiterou que a lista de espera para cirurgias no HGG é pública e pode ser consultada online. A pasta orientou que, em caso de agravamento do quadro, a paciente deve buscar atendimento para atualização de sua situação no sistema.



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