Redação
Uma balconista de farmácia, afastada do trabalho desde 2021 por um quadro de coxoartrose, teve seu benefício de auxílio-doença negado em nova perícia do INSS realizada na última terça-feira (22), em Goiânia. A mulher, que preferiu não se identificar, está grávida de três meses e, por recomendação médica, utiliza cadeira de rodas para aliviar as dores no quadril e facilitar a locomoção. Durante a avaliação, o perito alegou que a condição dela não justificava o uso da cadeira de rodas e que, em sua opinião, uma bengala seria suficiente.
No laudo, o perito destacou que a mulher compareceu a todas as perícias usando a cadeira de rodas e afirmou que o uso do equipamento seria uma forma de “metasimulação”. Ele também sugeriu que a coxoartrose, que “supostamente” a impede de caminhar desde 2021, não a impediu de engravidar, atividade que ele considerou mais exigente para a articulação afetada. Além disso, concluiu que ela poderia retornar ao trabalho.
“Fiquei muito constrangida. Eu não tive nem reação de responder. Pensei em comentar que a dor sou eu quem sinto, mas ele disse: ‘Simplesmente uma bengala’. Ele não está sentindo o que eu sinto”, contou a mulher. Segundo ela, o quadro de dor e limitação persiste, e um laudo emitido em maio deste ano indica a necessidade de cirurgia no quadril.
A Secretaria de Estado de Goiás informou que a paciente tem pedido de cirurgia ortopédica autorizado para execução no Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) e está atualmente na posição 42 da fila de espera, que é dinâmica e varia conforme a gravidade dos casos. A SES orientou que, em caso de agravamento, a paciente procure uma unidade de saúde para reavaliação e possível encaminhamento para uma unidade especializada.
Poliana Venâncio, advogada da balconista, explicou que a cliente mora em Goianira e precisou vir a Goiânia para a perícia. “Ela fez o deslocamento de ônibus, e o uso da cadeira de rodas é essencial para não agravar ainda mais o problema, especialmente nesses deslocamentos”, afirmou Poliana.
Em nota, o Ministério da Previdência Social informou que usuários insatisfeitos com o resultado de uma perícia podem solicitar nova avaliação. Para denúncias de desrespeito, existe um canal eletrônico que encaminha o caso ao Comitê de Ética e à Corregedoria, que investigará minuciosamente a denúncia. A pasta afirmou ainda seu compromisso com um atendimento digno e capacitado.
A Secretaria de Estado de Saúde de Goiás reiterou que a lista de espera para cirurgias no HGG é pública e pode ser consultada online. A pasta orientou que, em caso de agravamento do quadro, a paciente deve buscar atendimento para atualização de sua situação no sistema.
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