Fogo ameaça nascentes do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT)

As chamas foram registradas no período da tarde e se alastraram com vento. O objetivo dos brigadistas é impedir que o fogo chegue às nascentes.


Por Rota Araguaia em 03/10/2024 às 10:04 hs

Fogo ameaça nascentes do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT)
O objetivo dos brigadistas é impedir que o fogo chegue a essas nascentes. — Foto: ICMBio

Redação

Um novo incêndio atinge o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, desde esta terça-feira (1º), colocando em risco as nascentes locais, de acordo com o chefe do parque, Fernando Xavier. Brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estão combatendo as chamas, como mostram vídeos registrados na região.

Ainda não há informações sobre a causa do incêndio, que teve início na tarde de terça-feira às margens da rodovia MT-251. O fogo rapidamente se alastrou devido aos fortes ventos e se aproxima da área de nascentes conhecida como Mata Fria. O principal objetivo das equipes de combate é evitar que o fogo alcance essas nascentes, essenciais para a preservação dos recursos hídricos do parque.

Ao todo, quatro esquadrões de combate atuam na região, com brigadistas do ICMBio e do Ibama/PrevFogo, além de uma aeronave e suporte de dois caminhões-pipa. O combate segue nesta quarta-feira (2), com 17 brigadistas na linha de frente. As chamas já atingiram áreas elevadas do Planalto e o Portão do Inferno, que passa por obras para conter o solo e prevenir desabamentos.

Apesar da gravidade do incêndio, os principais pontos turísticos do parque, como Cidade de Pedra e Vale do Rio Claro, permanecem abertos ao público, conforme informações da administração do parque.

Impacto da Seca nas Nascentes e Ecossistemas

O incêndio ocorre em meio a uma seca severa que afeta grande parte do Brasil, incluindo áreas de conservação em Mato Grosso. Segundo a geóloga Chauanne da Cunha, das 316 nascentes monitoradas, 80% são intermitentes, ou seja, secam naturalmente em algum período do ano. No entanto, devido à prolongada falta de chuvas, muitas nascentes que deveriam estar recuperadas continuam secas.

Essa escassez de água nas nascentes, que abastecem córregos e rios, tem um efeito direto na seca do Pantanal, uma das maiores áreas úmidas do mundo. O pesquisador Ibraim Fantim, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), destacou que a redução nos níveis de água subterrânea tem se tornado mais perceptível nas nascentes e rios, contribuindo para o agravamento da situação.

Além de desempenharem um papel crucial na regulação da temperatura local, as nascentes também são refúgio vital para a vida silvestre da Chapada dos Guimarães. A perda dessas fontes de água preocupa pesquisadores e conservacionistas, que temem pelo impacto na fauna e flora da região.

O trabalho de combate ao incêndio continua, com a esperança de que as equipes consigam controlar as chamas antes que o dano às nascentes e ao ecossistema local se torne irreversível.



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