Justiça condena policiais por ajudar presos a fugir em troca de propina em MT

Os agentes receberam cerca de US$ 34 mil para colaborarem com o plano de fuga no antigo Presídio do Carumbé, em julho de 1999.


Por Rota Araguaia em 27/09/2024 às 07:55 hs

Justiça condena policiais por ajudar presos a fugir em troca de propina em MT
Foto: Secom-MT

Redação

O juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ações Coletivas, condenou três policiais penais por improbidade administrativa, após terem colaborado com um plano de fuga de quatro detentos em julho de 1999, no antigo Presídio do Carumbé, atual Centro de Ressocialização de Cuiabá. A decisão foi expedida nesta quarta-feira (25).

De acordo com a denúncia do Ministério Público, um agente carcereiro, em conluio com sargentos, um tenente e o comandante-geral da Polícia Militar, além de um secretário de Segurança Pública, facilitou a fuga dos detentos. Eles teriam permitido que os prisioneiros saíssem pela porta da frente do presídio sem serem notados.

Na época, foi pago aos agentes envolvidos aproximadamente US$ 34 mil, valor que foi dividido em duas parcelas. A última parte do montante teria sido paga minutos antes da fuga dos presos.

Na sentença, os três policiais penais foram condenados à perda de seus cargos públicos e ao pagamento de multas civis que, somadas, atingem o valor de R$ 120 mil. Dois dos condenados também tiveram seus direitos políticos suspensos por períodos de 8 e 9 anos. O terceiro agente foi obrigado a restituir US$ 300, valor referente à propina que ele teria recebido. Esse montante deverá ser acrescido de juros e correção monetária.

O processo também apontou que os agentes da Polícia Militar foram coniventes com a fuga, não tendo tomado qualquer medida para impedi-la. Embora seus nomes tenham sido mencionados no processo, algumas das ações contra eles foram extintas devido à prescrição.

O caso revela um esquema de corrupção dentro do sistema penitenciário da época, envolvendo não apenas agentes do presídio, mas também altos escalões da segurança pública. A decisão é vista como um passo importante no combate à impunidade e à corrupção dentro do sistema carcerário.



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