Redação
A suspensão da rede social X (antigo Twitter) no Brasil, decidida pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), no último sábado (31), desencadeou uma série de consequências para produtores de conteúdo que dependiam da plataforma como fonte de renda. A decisão foi tomada após a rede social, de propriedade de Elon Musk, não cumprir a ordem de indicar um representante legal no país.
Entre os afetados, está Babi Magalhães, advogada, publicitária e produtora de conteúdo, que viu suas negociações de publicidade serem interrompidas abruptamente. "Eu tinha acabado de entregar a última publicação paga quando o X caiu. Estava prestes a fechar com outro anunciante, mas a negociação foi para o brejo", lamenta. Babi, que conta com quase 400 mil seguidores no X, relatou que a plataforma representava cerca de 95% de seus contratos de publicidade, fazendo com que a suspensão impactasse diretamente sua principal fonte de renda.
O influenciador digital Matheus Caseca, de 29 anos, também sentiu o impacto. Conhecido como Odontinho no X, onde tem quase 60 mil seguidores, Caseca teve um trabalho cancelado e está aguardando definições para retomar suas atividades. "Eu fiquei bastante apreensivo e sem saber o que fazer porque eu tenho trabalhos para serem entregues e o bloqueio atrapalhou tudo o que havia planejado", desabafa.
O bloqueio do X foi motivado pelo descumprimento de normas do Marco Civil da Internet, que prevê a responsabilização do provedor de aplicações de internet por danos causados por conteúdo gerado por terceiros. Além disso, o STF impôs uma multa diária de R$ 50 mil a quem tentar acessar a plataforma por meio de redes privadas virtuais (VPNs) para burlar o bloqueio.
O caso foi analisado pelo plenário do STF nesta segunda-feira (2), e os ministros decidiram, por unanimidade, manter a suspensão da rede social no país. Em seu voto, Moraes afirmou que Elon Musk confunde "liberdade de expressão com uma inexistente liberdade de agressão" e destacou a necessidade de proibir discursos de ódio e incitação a atos antidemocráticos.
Enquanto o impasse persiste, produtores de conteúdo como Babi e Caseca buscam alternativas para continuar gerando renda, como migrar para outras redes sociais. No entanto, a incerteza sobre o retorno do X deixa muitos sem saber como será o futuro de suas atividades profissionais.
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