Redação
Visitar a fazenda que pertenceu ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, em Luziânia, no entorno do Distrito Federal, é como fazer uma imersão na história do Brasil. Conhecida como Fazendinha JK, a propriedade oferece aos visitantes uma experiência única, com biblioteca, obras de arte, uma piscina em forma das iniciais do ex-presidente e um mirante, todos projetados pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer. Este é o único projeto de Niemeyer em uma zona rural, e ele capta de forma singular a essência do Cerrado e as memórias afetivas de Juscelino.
A gestora e historiadora Rosana Servo, que cuida da fazenda junto com sua família, explica que o nome “Fazendinha” foi mantido em respeito à forma carinhosa como JK se referia ao local. A propriedade foi escolhida por Juscelino para testar a agricultura no solo goiano, uma escolha audaciosa à época, quando muitos acreditavam que a terra no Centro-Oeste não tinha valor. Inspirado por uma viagem ao Egito, onde viu a produção de alimentos na areia, JK decidiu plantar diversas culturas na propriedade para provar que o solo vermelho do Cerrado era fértil.
"O agronegócio do nosso país começou na Fazendinha JK", afirma Rosana. Ela destaca que Juscelino corrigiu o solo, aplicando calcário e adubo, e conseguiu produzir trigo, soja, café e arroz, demonstrando que o Cerrado era viável para a agricultura.
Uma Sede Repleta de História
A sede da fazenda foi concebida por Oscar Niemeyer a partir das memórias de infância de Juscelino. A casa permanece exatamente como foi deixada pelo ex-presidente, com móveis, louças e livros dispostos da mesma forma. “Os móveis, as louças e os livros estão na mesma disposição, possibilitando ao visitante uma viagem no tempo”, descreve um texto da Secretaria de Estado do Entorno do DF. Entre as obras de arte que adornam o espaço, estão pinturas do artista polonês Chanina Luwisz Szejnbejn e do pintor mineiro Inimá de Paula, todas com dedicatórias para JK no verso.
A biblioteca da Fazendinha JK é outro destaque, com um acervo de 2,8 mil livros que foram lidos por Juscelino, como comprovam as anotações e resumos deixados por ele. O espaço abriga também livros com dedicatórias de grandes escritores, como Clarice Lispector, Jorge Amado e Raquel de Queiroz, e uma mesa de jantar onde o político realizava reuniões e recebia autoridades.
Espaços Preservados e Paisagens de Encantar
Atualmente, a fazenda possui 27 alqueires, com o núcleo histórico preservado. Além da sede, o local abriga uma Mercedes de 1984 que pertenceu a JK, uma piscina em formato das iniciais do ex-presidente, três represas e um mirante, que inclui uma capela projetada por Niemeyer. O mirante foi estrategicamente construído em um ponto de onde se pode avistar as luzes do aeroporto de Brasília à noite, uma visão que foi significativa para JK, especialmente durante o período em que era proibido de entrar na capital durante a ditadura militar.
Apesar de sua importância histórica, a Fazendinha JK ainda não foi tombada como patrimônio histórico. Rosana Servo relata que o pedido de tombamento foi negado três vezes pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sob a justificativa de que não se vê apelo histórico, cívico e cultural na propriedade.
Propriedade Privada, Experiência Única
A Fazendinha JK foi adquirida pela família Servo oito anos após a morte de Juscelino. Lázaro Servo, admirador do ex-presidente, manteve a fazenda exatamente como foi deixada por JK. Hoje, Rosana e seu esposo, Antônio Servo, filho de Lázaro, são responsáveis pela preservação e manutenção do local.
Embora seja uma propriedade privada, a Fazendinha JK está aberta para visitação. Os visitantes podem optar por tours guiados, individuais ou em grupo, explorando tanto a sede da fazenda quanto as áreas ao ar livre. Os ingressos variam de R$ 100 a R$ 200, dependendo do pacote escolhido, que pode incluir café colonial ou almoço.
Juscelino Kubitschek: Um Estadista Visionário
Juscelino Kubitschek, conhecido como JK, foi um médico e político que deixou um legado indelével na história do Brasil. Nascido em 12 de setembro de 1902, em Diamantina (MG), iniciou sua carreira política na década de 1930 e foi nomeado prefeito de Belo Horizonte em 1940. Como presidente da República entre 1956 e 1961, JK foi responsável pela construção de Brasília e por implementar o Plano de Metas, cujo lema era "50 anos em 5", simbolizando o rápido desenvolvimento que ele desejava para o país.
A Fazendinha JK não apenas preserva a memória deste grande estadista, mas também oferece aos visitantes uma oportunidade de vivenciar um pedaço significativo da história do Brasil.
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