Os impactos das mudanças climáticas são muito piores do que imaginamos

Estudos apontam que até o aprendizado das crianças é prejudicado pelos frequentes dias de calor intenso


Por Rota Araguaia em 24/04/2024 às 10:29 hs

Os impactos das mudanças climáticas são muito piores do que imaginamos
Reprodução

Redação

As mudanças climáticas representam uma ameaça significativa ao nosso bem-estar, mas nem sempre compreendemos completamente a extensão dos danos que elas causam. Muitas vezes, a devastação resultante das mudanças climáticas está relacionada não apenas a eventos catastróficos que chamam a atenção, mas também a uma série de impactos menos evidentes, porém igualmente prejudiciais. Estes custos ocultos podem ser muito mais graves do que imaginamos e reconhecê-los é crucial para nos prepararmos adequadamente para os desafios que ainda enfrentaremos.

As instituições públicas têm um papel fundamental na mitigação das mudanças climáticas, não apenas incentivando a redução das emissões, mas também facilitando a adaptação. Muitas vezes, o discurso público sobre as mudanças climáticas negligencia o papel central que as instituições locais desempenham na adaptação e como os impactos locais das mudanças climáticas estão intrinsecamente ligados aos sistemas humanos - econômicos, educacionais, legais e políticos.

Por exemplo, o calor extremo está se tornando cada vez mais letal, superando outros desastres naturais em número de vítimas. No entanto, muitos dos danos causados pelo calor estão relacionados não aos dias de ondas de calor recordes, mas sim aos dias moderadamente quentes, que podem ter efeitos devastadores e muitas vezes despercebidos na saúde e na produtividade humanas. O aumento da temperatura pode aumentar significativamente o risco de lesões em setores como mineração e construção, além de afetar negativamente o desempenho cognitivo, a tomada de decisões e até mesmo o aprendizado dos alunos.

Além do calor, outros impactos das mudanças climáticas, como incêndios florestais, também têm efeitos sutis, mas prejudiciais quando acumulados ao longo do tempo. A fumaça resultante dos incêndios florestais, por exemplo, pode causar danos à saúde e afetar a produtividade e o aprendizado.

É fundamental que reconheçamos e abordemos esses custos ocultos das mudanças climáticas, e as intervenções locais desempenham um papel crucial nesse processo. Atualmente, nossos sistemas sociais e econômicos não estão adequadamente preparados para lidar com esses danos acumulados, mas investimentos em adaptação e resiliência podem ajudar a mitigar esses impactos.

Em última análise, a redução agressiva das emissões de gases de efeito estufa é essencial para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. No entanto, também devemos nos concentrar em como adaptar nossas comunidades e sistemas sociais aos desafios que enfrentaremos. Uma abordagem proativa à adaptação e à resiliência pode não apenas proteger nossa segurança física e financeira, mas também garantir que oportunidades econômicas não sejam perdidas para os mais vulneráveis.

Como indivíduos e como sociedade, temos o poder de moldar como respondemos às mudanças climáticas. Reconhecer e agir sobre os custos ocultos das mudanças climáticas é o primeiro passo para criar um futuro mais seguro e sustentável para todos.

(Por R. Jisung Park, economista ambiental e trabalhista, professor assistente da Universidade da Pensilvânia e autor de “Slow Burn: The Hidden Costs of a Warming World”)

c. 2024 The New York Times Company

Fonte: R7



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