Primeira cacique trans de MT consegue mudar nome na Justiça: 'quebrando uma barreira'

Majur se tornou cacique no final de 2021, após o pai ser afastado por motivos de doença.


Por Rota Araguaia em 11/08/2023 às 17:15 hs

Primeira cacique trans de MT consegue mudar nome na Justiça: 'quebrando uma barreira'
Foto: Facebook/reprodução

Por g1 MT

O cacique Majur Traytowu, de 32 anos, a primeira indígena transexual no estado , conseguiu reiterar seu nome na Justiça neste mês. Um cacique lidera a Aldeia Apido Paru da Terra Indígena Tadarimana, em Rondonópolis , a 218 km de Cuiabá ,

 

“Estou me sentindo uma pessoa realizada. Diante de tanto preconceito, eu sinto que estamos quebrando uma barreira”.

 

Majur se tornou cacique no final de 2021 , após o pai ser afastado por motivos de doença.

Majur Traytowu, de 30 anos, se tornou cacique da Aldeia Tadarimana — Foto: Majur Traytowu/Arquivo pessoal

Majur Traytowu, de 30 anos, se tornou cacique da Aldeia Tadarimana — Foto: Majur Traytowu/Arquivo pessoal

Segundo o cacique geral da Reserva Indígena Tadarimana, Cícero Kawdora, a transição de gênero é vista com naturalidade na cultura Boé Bororo.

 

“Isso já vem desde o fundamental, no tempo do nosso avô já era falado sobre isso (transição), já é normal para nós”, enfatizou.

Além do reconhecimento cultural, os indígenas que fizeram a transição de gênero podem ser oficialmente reconhecidos pela Justiça. A retificação dos documentos é realizada pela Defensoria Pública de Mato Grosso.

Para realizar a mudança de nome, os indígenas e não indígenas devem procurar o Cartório do Registro Civil e levar os documentos pessoais, principalmente a certidão de nascimento. O processo é gratuito.

 

Confira os documentos necessários:

 

 

  • Certidão de nascimento
  • título de eleitor
  • Registro Geral (RG)
  • Cadastro de Pessoas Físicas (CPF)
  • Certidões negativas na Justiça Eleitoral, Estadual, Federal e Militar
  • Certidão de protesto

 

 

Quem é Majur

Majur Traytowu conto que se descobriu como transexual aos 12 anos e, aos 27 anos, quando a família fundou a Aldeia Apido Paru, ela passou a ajudar o pai nas tomadas de decisões. Na adolescência, afoi convidada a participar de reuniões, eventos e outros assuntos envolvendo a comunidade.

Em 2017, Majur concluiu o ensino médio e quase dois anos passou em uma prova em Goiânia para cursar fisioterapia e antropologia, e no mesmo período também foi aprovada em um processo seletivo para agente de saúde indígena.

"Ou eu me mudava para a cidade fazer faculdade ou ficava para cobrir a vaga de posto de Agente Indígena de Saúde (AIS). Decidi ficar e trabalhar para estar mais perto do povo. Hoje tenho mais de três anos como agente e agora também assumo o posto de cacique da minha aldeia", contou.

Os caciques são escolhidos por votação que, geralmente, acontece a cada dois anos. No entanto, Majur assumiu a liderança da aldeia, oficialmente, logo após o afastamento do pai, sem eleição. Os demais indígenas, segundo ela, aceitaram, sem questionamentos.



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