Um médico que realizou procedimentos de cirurgia plástica em Barra do Garças (MT) foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. A investigação analisou denúncias de quatro pacientes que relataram complicações após intervenções cirúrgicas. Em dois casos, laudos periciais identificaram sequelas permanentes.
O inquérito foi conduzido pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças e teve o relatório final elaborado em 17 de agosto de 2026. Após a conclusão das investigações, o documento foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências legais cabíveis.
De acordo com informações divulgadas pela assessoria de comunicação da Polícia Civil de Mato Grosso nas redes sociais da instituição, as investigações começaram após pacientes procurarem a delegacia para relatar complicações decorrentes de cirurgias plásticas realizadas principalmente em 2023. Entre os procedimentos investigados estão redução e levantamento das mamas, colocação ou substituição de próteses mamárias e lipoaspiração.
Durante a apuração, os investigadores reuniram prontuários médicos, documentos hospitalares, registros fotográficos, exames complementares e laudos elaborados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Também foram ouvidos profissionais que prestaram esclarecimentos sobre os atendimentos e os cuidados pós-operatórios.
As pacientes relataram dores persistentes, cicatrizes, assimetrias e deformidades mamárias. Uma das mulheres também informou ter sofrido necrose das aréolas e dificuldades de cicatrização após duas intervenções cirúrgicas, realizadas em 2023 e 2024.
Os exames periciais constataram sequelas permanentes em duas pacientes. Em um dos casos, foram identificadas deformidades e cicatrizes com comprometimento estético. No outro, a perícia apontou alterações permanentes nas mamas e nos mamilos. Nas outras duas situações, os laudos não confirmaram lesão corporal conforme os critérios técnicos adotados.
Suspeita de falsidade ideológica
Além das possíveis lesões corporais, a Polícia Civil apurou indícios de falsidade ideológica relacionados ao prontuário médico de uma das pacientes.
Segundo o relatório policial, durante um procedimento para retirada de prótese mamária, teria ocorrido o rompimento do implante. Entretanto, o episódio não teria sido registrado no relatório cirúrgico correspondente.
A investigação considerou as declarações da paciente, a prótese apresentada para exame e a documentação médica. Apesar disso, a perícia não conseguiu estabelecer relação causal entre o rompimento do implante e as dores persistentes relatadas pela mulher.
Em interrogatório, o médico negou ter agido com negligência, imprudência ou imperícia. Ele afirmou que as complicações decorreram de fatores relacionados aos procedimentos cirúrgicos, às características individuais das pacientes e ao processo de cicatrização.
O profissional também declarou que prestou acompanhamento pós-operatório e se colocou à disposição para realizar procedimentos reparadores quando necessários.
Com a conclusão do inquérito, a autoridade policial formalizou o indiciamento do médico pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário para análise e eventuais providências legais.
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