Redação
Quatro empregadores de Mato Grosso foram incluídos na atualização de outubro de 2026 da chamada “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os registros envolvem casos identificados nos municípios de Nova Maringá, Sorriso, Alto Taquari e Nova Bandeirantes, com 46 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.
O cadastro reúne pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas administrativamente por submeter trabalhadores a condições degradantes ou outras situações caracterizadas como trabalho análogo à escravidão. A relação é atualizada semestralmente, nos meses de abril e outubro.
Conforme informações divulgadas pelo g1 Mato Grosso nesta terça-feira (13), as fiscalizações identificaram irregularidades como alojamentos sem condições adequadas de higiene, ausência de água potável, instalações elétricas improvisadas, falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e problemas nas contratações.
Trabalhadores resgatados em Nova Maringá
Em setembro de 2025, uma operação resgatou 20 trabalhadores que atuavam na extração de lenha em uma área rural isolada de Nova Maringá, a 392 quilômetros de Cuiabá. O local apresentava condições precárias de higiene, dificuldades de acesso e ausência de transporte.
A empresa T. F. Zimpel Ltda., ligada a Taiany França Zimpel, foi incluída no cadastro. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), os trabalhadores haviam sido contratados para atividades de corte e empilhamento de madeira.
Alojamento improvisado em ônibus em Sorriso
Em Sorriso, dez trabalhadores de uma empresa da construção civil foram resgatados após serem encontrados alojados em um ônibus adaptado como moradia.
A fiscalização constatou infestação de baratas, banheiro sem vaso sanitário e pia, armazenamento inadequado de alimentos e instalações elétricas improvisadas, com risco de choques e incêndios.
Os trabalhadores também enfrentavam calor excessivo, falta de privacidade, dificuldades de acesso à água potável e ausência de espaços adequados para alimentação e descanso. Foram identificados ainda pagamentos salariais fora dos registros formais e falhas na gestão de riscos ocupacionais.
Fazenda em Alto Taquari
Em março deste ano, uma operação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel resgatou 12 trabalhadores em uma fazenda de Alto Taquari, a 480 quilômetros de Cuiabá.
A maioria havia sido recrutada em outros estados, principalmente Maranhão e Minas Gerais, por intermediadores de mão de obra. Apenas um trabalhador possuía registro formal, e um adolescente foi encontrado exercendo atividade proibida para sua faixa etária.
As equipes identificaram alojamentos inadequados, instalações elétricas improvisadas, jornadas excessivas, ausência de equipamentos de proteção e falta de treinamento e assistência médica regular. As irregularidades envolviam atividades de corte de madeira e produção de carvão vegetal.
Pecuarista volta à lista em Nova Bandeirantes
Em Nova Bandeirantes, o pecuarista Onério Castanha voltou a integrar a relação por irregularidades identificadas na Fazenda Novo Astro, envolvendo quatro trabalhadores.
O nome do produtor já havia aparecido no cadastro em 2012, após uma fiscalização na Fazenda Serrinha, no mesmo município, onde 19 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão.
Como funciona a lista suja
A inclusão de empregadores ocorre somente após a conclusão do processo administrativo, quando não há mais possibilidade de recurso. Durante a apuração, os responsáveis têm direito à defesa.
Os nomes permanecem no cadastro por dois anos e podem ser retirados após esse período, desde que não sejam identificados novos casos e a situação esteja regularizada.
As denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, canal oficial criado pelo Ministério do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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