Operação Fake Card prende suspeitos de fraude com vale-alimentação em nove estados

Empresa investigada tinha contratos com mais de 220 municípios e é suspeita de não repassar pagamentos a comerciantes


Por Rota Araguaia em 23/09/2026 às 10:41 hs

Operação Fake Card prende suspeitos de fraude com vale-alimentação em nove estados
Foto: Reprodução

Redação

 

A Polícia Civil de Goiás prendeu, nesta quarta-feira (23), suspeitos de integrar um grupo investigado por fraude envolvendo cartões de vale-alimentação. As prisões fazem parte da Operação Fake Card, que apura a apropriação de valores repassados por prefeituras para o pagamento de comerciantes.

Segundo a investigação, a empresa mantinha contratos com mais de 220 municípios de nove estados: Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.

Os pagamentos aos comerciantes começaram a apresentar atrasos em 2025 e foram completamente interrompidos em setembro daquele ano.

Como funcionava o esquema

De acordo com a Polícia Civil, a investigação indicou que o caso não seria apenas um problema contratual. A suspeita é de que o grupo tenha estruturado uma fraude com funcionamento semelhante ao de uma pirâmide financeira.

A empresa teria vencido licitações em mais de 220 municípios oferecendo descontos considerados muito baixos pela investigação. Os abatimentos tinham média de 17% e chegavam a 30,5%.

Ainda segundo a polícia, os valores recebidos por meio de novos contratos eram utilizados para cobrir pagamentos atrasados de contratos anteriores. Dessa forma, a empresa teria conseguido manter uma aparência de regularidade durante determinado período.

Com a redução da entrada de novos municípios, o esquema teria entrado em colapso.

Quando começaram a ser cobrados pelos comerciantes, os responsáveis pela empresa teriam alegado que o sistema havia sido vítima de um ataque de hackers. Também teriam mencionado um suposto processo criminal que, segundo a investigação, não existia na Justiça de São Paulo.

Posteriormente, conforme a Polícia Civil, os responsáveis deixaram de prestar informações aos comerciantes.

Empresas e contas pessoais teriam sido usadas

A investigação aponta ainda que a empresa responde a centenas de processos judiciais em diferentes estados.

Segundo a Polícia Civil, o grupo teria utilizado outras empresas ligadas aos investigados e contas bancárias pessoais para movimentar e lavar os valores recebidos, dificultando o rastreamento do dinheiro.

As investigações continuam para esclarecer a participação de cada suspeito, identificar o destino dos recursos e dimensionar o prejuízo causado aos comerciantes e aos municípios envolvidos.

Carro e moto apreendidos em operação contra fraude em cartões de alimentação — Foto: Divulgação/ PC



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