Agências da Caixa entram em greve por tempo indeterminado em Goiás

Trabalhadores rejeitaram proposta para renovação do acordo coletivo; 96,5% dos votantes foram contra


Por Rota Araguaia em 09/09/2026 às 16:57 hs

Agências da Caixa entram em greve por tempo indeterminado em Goiás
Divulgação/Sindicato dos Bancários em Goiás

Redação

 

Agências da Caixa Econômica Federal estão fechadas por tempo indeterminado em Goiânia e no interior de Goiás desde terça-feira (8), após os empregados rejeitarem a proposta apresentada pelo banco para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028. As informações são do Sindicato dos Bancários de Goiás.

A assembleia que decidiu pela rejeição da proposta foi realizada de forma virtual entre os dias 3 e 4 de setembro. Segundo o presidente do sindicato, Sergio Costa, 96,50% dos trabalhadores que participaram da votação foram contrários à proposta, enquanto 3,50% votaram a favor.

Entre os principais pontos de impasse está o Saúde Caixa, plano de assistência médica destinado a empregados da ativa, aposentados, pensionistas e dependentes. A categoria também reivindica reposição salarial, redução da sobrecarga de trabalho, regras para o teletrabalho e manutenção de direitos específicos dos empregados da Caixa.

“A proposta que nos foi apresentada foi considerada insuficiente pelas entidades representativas porque, na avaliação dos trabalhadores, transfere parte significativa dos custos do plano de saúde para empregados, aposentados e pensionistas, enquanto a categoria reivindica maior participação financeira da Caixa”, afirmou Sergio Costa.

Segundo o sindicato, a adesão à greve vem crescendo e diversas agências da capital e do interior já interromperam o atendimento ao público.

Impasse envolve o Saúde Caixa

Para Claudia Bahia, vice-presidente da Associação dos Gestores da Caixa em Goiás (Agecef-GO) e diretora regional do Centro-Oeste da Federação Nacional dos Gestores da Caixa (Fenag), o impasse não envolve apenas o reajuste salarial. Segundo ela, a discussão também está relacionada ao impacto do plano de saúde nas finanças dos trabalhadores e às condições de trabalho que podem contribuir para o adoecimento da categoria.

Claudia explicou que a regra de custeio do Saúde Caixa foi alterada em 2017. Segundo ela, o modelo anterior previa que 70% das despesas fossem cobertas pela Caixa e 30% pelos funcionários. Naquele ano, porém, a instituição alterou o estatuto da assistência e estabeleceu um limite de 6,5% sobre a folha de pagamento para a contribuição patronal.

Na avaliação da diretora, mesmo que os trabalhadores recebam uma reposição salarial acima da inflação, os custos relacionados à coparticipação no plano de saúde podem representar uma despesa maior.

“Se os gastos do Saúde Caixa sobem além do limite estabelecido, o excedente dessa capacidade de custeio acaba sendo repassado aos empregados”, explicou.

Claudia também citou o reajuste oferecido pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), de INPC mais 0,60% de ganho real aos bancários, índice aceito pela rede privada.

“Não basta discutir o reajuste de 0,6% acima da inflação, porque o encarecimento dos custos do plano pode acarretar uma perda financeira substancialmente maior”, ressaltou.

Nova rodada de negociação

Uma nova rodada de diálogo entre os representantes dos trabalhadores e a Caixa está prevista para esta quarta-feira (9). O encontro reúne representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores das Empresas de Crédito (Contec).

As entidades devem voltar a discutir os termos para a renovação do acordo coletivo e os rumos da paralisação em Goiás.



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