Redação
Mato Grosso registrou 1.310 casos de pessoas desaparecidas entre janeiro e julho de 2026, segundo o Painel de Dados de Pessoas Desaparecidas da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O número representa uma média de aproximadamente seis desaparecimentos por dia no período.
Dos casos registrados, 685 pessoas foram localizadas, enquanto 625 ainda não tiveram o paradeiro confirmado, o equivalente a 47% do total.
A própria Polícia Civil, porém, alerta que os números podem não representar com precisão a realidade. Isso ocorre porque, em muitos casos, quando uma pessoa desaparecida retorna para casa, a família não comunica a localização às autoridades, deixando o registro ativo no sistema.
Dos 1.310 registros feitos em Mato Grosso até julho, 867 envolviam homens e 443 mulheres.
Em relação à idade, 895 pessoas tinham mais de 18 anos, enquanto 405 eram crianças ou adolescentes entre 0 e 17 anos. Em 10 casos, a idade não foi informada no registro.
Os maiores números foram registrados nas principais cidades do estado. Cuiabá teve 266 casos e Várzea Grande, 124, totalizando 390 registros nas duas cidades.
Na sequência aparecem:
Em Sinop, onde foram registrados 127 desaparecimentos no período, o delegado Bráulio Junqueira, responsável pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirma que os números não significam necessariamente que existam 113 pessoas atualmente desaparecidas na cidade.
Segundo ele, apenas 14 dos 127 registros constavam como localizados no sistema, mas muitos casos permanecem sem atualização porque as famílias não comunicam o retorno da pessoa.
“O que acontece é que é feito o primeiro registro, mas depois, quando a pessoa volta, essa informação não é fornecida pela família. É o que ocorre na maioria dos casos”, explicou.
O delegado afirma que a Polícia Civil atende diferentes situações envolvendo desaparecimentos, que nem sempre estão relacionadas a crimes. Entre os casos estão idosos com demência, pessoas que deixam voluntariamente suas casas e indivíduos que se deslocam para outras cidades ou estados sem comunicar familiares.
Junqueira explica que, quando o desaparecimento permanece por mais tempo, a família costuma procurar a Polícia Civil em busca de informações. A equipe pode adotar diferentes medidas para tentar localizar a pessoa.
Dependendo do caso, podem ser solicitadas quebras de sigilos bancário e telemático, além do uso de imagens de câmeras de segurança e apoio com drones em áreas indicadas.
O delegado cita o caso recente de um jovem que morreu após jogar o veículo em um rio. Após diversas diligências e análise de câmeras, as equipes conseguiram localizar o carro e o corpo.
Em outra ocorrência, um homem com problemas cardíacos saiu para pescar e foi dado como desaparecido pela família. As buscas foram dificultadas pela falta de informações básicas sobre o local onde ele costumava pescar.
Também há situações em que a pessoa é localizada após deixar a cidade por vontade própria. Em um dos casos mencionados pelo delegado, um desaparecido foi identificado embarcando em um ônibus com destino ao Pará.
A Polícia Civil também investiga casos em que existe possibilidade de envolvimento com organizações criminosas.
Segundo Junqueira, quando a pessoa desaparecida possui envolvimento com atividades criminosas ou é usuária de drogas, existe a possibilidade de que o desaparecimento esteja relacionado a homicídios praticados por integrantes de facções.
Nessas situações, a polícia acompanha denúncias e outras informações que possam indicar a localização de corpos ou ossadas.
No mesmo período, o painel da Senasp contabilizou 51.234 desaparecimentos em todo o Brasil.
Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2025, foram registrados 84.269 desaparecimentos no país, número 3,6% superior aos 81.040 casos contabilizados em 2024.
Em Mato Grosso, porém, houve redução nos registros anuais: foram 2.271 casos em 2024 e 2.112 em 2025, uma queda de 8,4%.
Os números reforçam a importância de manter os registros atualizados. Para a Polícia Civil, a comunicação da localização de uma pessoa desaparecida é fundamental para que o caso seja encerrado oficialmente e os dados das estatísticas de segurança pública reflitam melhor a realidade.
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