O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) anunciou que deixou a condição de candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e voltará a disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados. A decisão foi tomada após reunião do grupo político e provoca uma nova mudança na composição governista para as eleições deste ano.
A saída ocorre poucos dias depois da deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, investigação que incluiu Fábio Garcia entre os alvos e ampliou as discussões internas sobre a manutenção de seu nome na chapa. Entre as medidas cautelares determinadas no âmbito da investigação está a proibição de contato entre investigados, incluindo o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), candidato ao Senado e uma das principais lideranças do grupo político.
Com a decisão, Fábio retoma o projeto eleitoral que vinha defendendo antes de aceitar a indicação para vice: buscar um novo mandato de deputado federal. Ao mesmo tempo, a mudança obriga Republicanos, União Brasil, Progressistas e demais aliados a retomarem as negociações para definir quem ocupará a vaga ao lado de Pivetta.
Nos bastidores, a permanência de Fábio na chapa vinha sendo discutida desde a operação da PF. Uma ala da aliança considerava que substituí-lo poderia ser interpretado como uma condenação antecipada, especialmente porque não há decisão judicial que impeça sua candidatura. Outros aliados avaliavam que os desdobramentos da investigação poderiam deslocar o debate eleitoral para o caso e exigir explicações constantes durante a campanha.
A Operação Heritage apura um suposto esquema envolvendo mais de R$ 308 milhões relacionado a um acordo entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi. Fábio Garcia nega participação em irregularidades e sustenta que seu nome foi associado indevidamente ao caso. O deputado também afirma que não houve busca e apreensão em seus endereços e que não existe ato de sua autoria relacionado ao acordo investigado.
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O ex-governador Mauro Mendes também foi alcançado pela investigação. Entre as cautelares determinadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), está a proibição de contato entre investigados. A medida não impede candidaturas e tampouco representa condenação, mas passou a produzir reflexos políticos e operacionais para integrantes da mesma aliança eleitoral.
Fábio havia sido escolhido para ocupar a vice após a definição interna do União Brasil sobre os rumos da eleição estadual. Na convenção partidária, o grupo liderado por Mauro Mendes venceu por 30 votos a 19 a proposta defendida pelo senador Jayme Campos de lançamento de candidatura própria ao Governo de Mato Grosso.
Com o resultado, a Federação União Progressista decidiu apoiar a reeleição de Pivetta e ficou responsável pela indicação do candidato a vice. Fábio Garcia acabou escolhido para a função, embora anteriormente sinalizasse que pretendia concorrer novamente a deputado federal.
Como a composição ainda não havia sido registrada na Justiça Eleitoral quando a Operação Heritage foi deflagrada, uma eventual mudança na chapa já vinha sendo discutida politicamente. A investigação, por si só, não produz impedimento eleitoral contra Fábio.
Agora, a desistência do deputado reabre uma das principais negociações da base governista nesta fase da campanha. O grupo terá de chegar a um novo nome para a vice e, ao mesmo tempo, administrar os efeitos políticos da investigação sobre uma aliança que reúne algumas das principais lideranças do Estado.
Para Fábio Garcia, a mudança significa o retorno à disputa proporcional. Depois de deixar de lado a tentativa de renovar o mandato na Câmara para integrar a chapa de Pivetta, o parlamentar volta ao projeto de reeleição a deputado federal.
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