Redação
A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira (21), o padrasto do adolescente de 13 anos que foi encontrado acorrentado a um sofá e mantido em cárcere privado em Anápolis, na região central de Goiás. O homem é investigado pelos crimes de maus-tratos e cárcere privado.
Segundo a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), a prisão ocorreu na rodoviária da cidade, onde o suspeito tentava embarcar para deixar o município. A identidade dele não foi divulgada pelas autoridades.
A captura aconteceu seis dias após o resgate do adolescente, realizado por equipes da Polícia Civil e do Conselho Tutelar.
De acordo com a delegada Aline Lopes Cardoso, responsável pela investigação, o menino possui diagnóstico de autismo e esquizofrenia. No momento em que foi encontrado, apresentava diversas lesões pelo corpo, incluindo marcas nos braços, pernas e tórax.
As investigações apontam que o adolescente era mantido sozinho em uma sala comercial fechada com portas metálicas trancadas por fora, sem janelas ou qualquer outra rota de saída.
Segundo a delegada, o resgate ocorreu após equipes policiais e autoridades municipais irem ao local. Inicialmente, não houve resposta, mas após algum tempo o adolescente começou a gritar e chorar. O proprietário do imóvel compareceu com uma chave reserva, permitindo a entrada dos agentes.
"Quando a porta foi aberta, eles localizaram o menino trancado dentro do cômodo", relatou a delegada.
Ainda conforme a investigação, o adolescente indicou os locais onde era preso por correntes. Os ganchos utilizados para prendê-lo estavam escondidos atrás de um sofá.
A mãe do adolescente foi levada à delegacia para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil busca entender qual foi sua participação na situação.
Segundo a delegada, existem indícios de que a mulher também seria vítima de violência doméstica praticada pelo companheiro e que teria sido impedida de procurar o filho após ele ter sido retirado da residência.
“Após o resgate do menino, nenhum dos dois procurou por ele. Ela afirma que ele não a deixava ir atrás do filho. Como não é da cidade, dependia dele para locomoção e orientação”, explicou Aline Lopes Cardoso.
No dia do resgate, a mãe e o padrasto não estavam no local. Conforme a polícia, ao perceberem a movimentação das equipes, ambos teriam fugido antes da abordagem.
A Polícia Civil segue apurando o caso e reunindo provas para a conclusão do inquérito. Somadas, as penas dos crimes de maus-tratos e cárcere privado podem chegar a 13 anos de reclusão.
O adolescente permanece sob acompanhamento dos órgãos de proteção e assistência social.
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