Sarau Dona Palmira mantém viva a história e a cultura de Torixoréu

Em sua quinta edição, evento reúne literatura, música, poesia e histórias que valorizam a identidade cultural do município


Por Rota Araguaia em 20/07/2026 às 15:17 hs

Sarau Dona Palmira mantém viva a história e a cultura de Torixoréu
Assessoria

Da Redação/Wanderley Wasconcelos

 

A quinta edição do Sarau Dona Palmira, realizada na noite de sexta-feira (17), reafirmou seu papel como um dos mais importantes eventos culturais de Torixoréu, reunindo moradores, professores, acadêmicos, mestres, doutorandos, poetas, contadores de causos, músicos e amantes da literatura em uma celebração da história, da arte e da identidade regional.

 

Idealizado e organizado pela professora Dione Lauria, filha de Dona Palmira, o sarau nasceu como um projeto de resgate da memória familiar, mas, ao longo desses últimos anos, transformou-se em um relevante movimento de valorização da história de Torixoréu e de seus personagens. A cada edição, o público cresce, consolidando o evento como um espaço democrático de encontro entre diferentes gerações e manifestações artísticas.

 

Assessoria

Sarau, Dona Palmira, Torixoréu

 

Sarau, Dona Palmira, Torixoréu

 

 

Para Dione Lauria, preservar a memória é um compromisso com as futuras gerações. Segundo ela, "Torixoréu necessita de eventos dessa natureza para que nossa história não se perca e a memória de nossos antepassados não ceda ao esquecimento". Essa visão tem norteado um trabalho desenvolvido de forma voluntária e persistente, mobilizando artistas, escritores e pesquisadores de diversas cidades da região.

 

Neste ano, o evento reuniu participantes de Chapada dos Guimarães, Barra do Garças, Mineiros, Baliza (GO) e outras localidades, demonstrando que o Sarau Dona Palmira ultrapassou as fronteiras do município e passou a integrar o calendário cultural regional.

 

Uma das ruas do centro histórico de Torixoréu foi transformada em palco para apresentações musicais e literárias. O cantor Beirão interpretou canções do repertório popular e folclórico, conquistando o público com sua performance. Também se apresentaram o jovem músico Augusto Chaves, com repertório de Música Popular Brasileira, e o multi-instrumentista Wilder Leão, enriquecendo ainda mais a programação artística.

 

A poesia ocupou lugar de destaque durante toda a noite. As declamações foram conduzidas pela própria Dione Lauria, pelo poeta e doutorando Glauber Lauria, pela intérprete poética Diane Pereira, pela poeta Flávia Santana Valadão, além de diversos outros declamadores. Também participou o acadêmico de História Fúlvio Márcio Oliveira Ferreira, do campus da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Mineiros, contribuindo para o diálogo entre cultura, literatura e pesquisa histórica.

 

Em clima de confraternização, os participantes reuniram-se ao redor de uma fogueira, tradição que tornou o ambiente ainda mais acolhedor durante a fria noite torixorina. Aos presentes foram servidos caldo de galinha, torradas e quentão, reforçando o caráter comunitário e afetivo que marca o evento desde sua criação.

 

Entre as autoridades presentes esteve o vereador José Rodrigues Sales, que destacou a importância da iniciativa. Em entrevista, afirmou que compareceu para "tomar a bênção de Dona Palmira e prestigiar nossa cultura, a organizadora do evento, Dione, os autores e artistas que engrandecem nossa história e nossa sociedade".

 

A HISTÓRIA QUE INSPIRA O SARAU

 

O evento presta homenagem a Palmira Parreira da Silva (1925–2025), torixorina nascida nas proximidades de Água Bonita, filha de garimpeiros e reconhecida como uma das figuras mais respeitadas da comunidade.

 

Segundo Dione Lauria, Dona Palmira foi exemplo de perseverança, solidariedade e espírito empreendedor. Sua casa era conhecida pelas portas sempre abertas aos amigos e visitantes, tornando-se um espaço permanente de acolhimento.

 

Autodidata na arte da costura, confeccionava desde mortalhas até vestidos de noiva, transformando talento e dedicação em meio de sustento para a família. Também se destacou como merendeira do Colégio Febrônio Rodrigues, líder comunitária e referência de amizade, generosidade e compromisso social.

 

Ao dar seu nome ao sarau, Dione Lauria perpetua não apenas a memória de sua mãe, mas também a trajetória de inúmeras mulheres anônimas que ajudaram a construir a história de Torixoréu. Mais do que um evento artístico, o Sarau Dona Palmira tornou-se um patrimônio afetivo da cidade, preservando histórias, incentivando novos talentos e fortalecendo a identidade cultural da comunidade.

 

O SIGNIFICADO DO SARAU

 

Tradicionalmente, o sarau é um encontro dedicado ao compartilhamento de diferentes manifestações artísticas, como poesia, música, literatura, dança, teatro e contação de histórias. Em ambientes acolhedores e participativos, promove a criatividade, o diálogo e o intercâmbio cultural entre artistas e público.

 

Em Torixoréu, graças à dedicação da professora Dione Lauria e ao envolvimento crescente da comunidade, o Sarau Dona Palmira vai além dessa definição: tornou-se um importante instrumento de preservação da memória histórica, de valorização dos escritores e artistas regionais e de fortalecimento da identidade cultural do município.



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