Limite de exportação para a China preocupa pecuaristas e pressiona preço do boi em Mato Grosso

Setor teme redução nas compras de frigoríficos após aproximação do teto anual de vendas de carne bovina ao mercado chinês


Por Rota Araguaia em 30/06/2026 às 12:35 hs

Limite de exportação para a China preocupa pecuaristas e pressiona preço do boi em Mato Grosso
Reprodução

Redação

 

O Brasil deve atingir, já em agosto, o limite anual de exportação de carne bovina para a China, cenário que tem gerado preocupação entre pecuaristas e frigoríficos. A avaliação é da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), que aponta uma redução na procura por animais para abate e queda nos preços pagos ao produtor.

A cota estabelece o volume de carne bovina que cada país pode exportar para a China com tarifa reduzida. No caso do Brasil, o limite anual é de 1,1 milhão de toneladas. Dentro desse volume, a taxa de importação é de 12%. Quando a cota é ultrapassada, a tarifa sobe para 55%, tornando o produto menos competitivo no mercado chinês.

A medida faz parte da estratégia da China para fortalecer a produção interna e diminuir a dependência das importações. Como o país asiático é o principal destino da carne bovina brasileira, qualquer mudança nas condições comerciais tem impacto direto sobre a cadeia produtiva nacional.

Em Mato Grosso, os reflexos já começam a ser percebidos. Segundo o pecuarista Luciano Resende, de Rondonópolis, a demanda dos frigoríficos por gado diminuiu nos últimos dias, reduzindo a liquidez do mercado.

Como consequência, o preço médio da arroba do boi gordo nas vendas a prazo recuou de R$ 344 para R$ 332 em apenas 10 dias, afetando a rentabilidade dos produtores.

Apesar das preocupações, representantes do setor acreditam que o mercado internacional pode oferecer alternativas para a carne brasileira. De acordo com o diretor executivo da Acrimat, Daniel Latorraca, poucos países possuem capacidade para produzir excedentes de carne bovina em grande escala como o Brasil.

“Caso a China não compre da gente e acelere as compras de países como Uruguai e Nova Zelândia, esses países deixarão de atender outros mercados, abrindo oportunidades para que a carne brasileira seja direcionada a novos destinos até o fim do ano”, destacou.

Agora, produtores e frigoríficos acompanham a evolução das exportações e aguardam definições sobre como o mercado irá se ajustar diante da possível limitação das vendas para a China, principal parceira comercial do setor pecuário brasileiro.



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