Redação
O guia de pesca João Neto, de 55 anos, chamou a atenção nas redes sociais ao mostrar um enorme cardume cercando um barco no Rio Araguaia, na região norte de Goiás. As imagens foram registradas a cerca de 60 quilômetros do distrito de Luís Alves e revelam centenas de peixes saltando para fora da água em meio a um fenômeno natural conhecido como "Estouro do Boto".
O registro foi publicado na última quarta-feira (23). Segundo João Neto, ele acompanhava um grupo de turistas de Minas Gerais durante uma pescaria quando percebeu uma intensa movimentação na água enquanto capturavam iscas.
Nas imagens, os peixes aparecem concentrados em uma área rasa do rio, debatendo-se na superfície e chegando a lançar água para dentro da embarcação. De acordo com o guia, o cardume tinha aproximadamente 200 metros de extensão e se espalhava por uma grande área do Araguaia.
Apesar da cena impressionante, João explica que o fenômeno é relativamente comum em determinadas épocas do ano e está relacionado às condições climáticas, especialmente ao volume de chuvas e ao nível do rio.
“É normal para todo mundo, se chama estouro do boto. Os botos trabalham em grupo, empurrando os peixes para a margem. Quando cercam o cardume, os peixes começam a saltar para tentar escapar”, relatou.
Segundo ele, embora envolva grandes mamíferos aquáticos, a situação não oferece risco aos navegantes, já que os botos não costumam apresentar comportamento agressivo.
Em entrevista ao g1, o biólogo Edson Abraão explicou que o Estouro do Boto ocorre principalmente durante o período de seca, quando o nível das águas diminui e facilita a ação dos animais.
De acordo com o especialista, os botos atuam de forma coordenada para encurralar os cardumes e aumentar a eficiência na captura de alimento.
“Eles trabalham em conjunto, formando grupos com dezenas de indivíduos para cercar os peixes. Por isso os cardumes ficam agitados e os peixes saltam para fora da água na tentativa de escapar”, explicou.
Além de ser um espetáculo da natureza, o fenômeno tem papel importante para a sobrevivência dos botos, especialmente das fêmeas. Segundo o biólogo, a alimentação abundante durante esse período ajuda a garantir as reservas de gordura e proteína necessárias para a gestação, que dura cerca de 12 meses.
Edson Abraão alerta que os botos enfrentam riscos crescentes e estão ameaçados de extinção. Após o nascimento, as fêmeas permanecem entre três e cinco anos cuidando dos filhotes, e apenas uma pequena parcela deles consegue atingir a idade adulta.
“São animais que enfrentam diversos desafios para sobreviver. Se medidas de conservação não forem adotadas, eles podem desaparecer da natureza nas próximas décadas”, alertou o especialista.
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Foto: Instituto Araguaia/ Divulgação
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