Redação
Quem observou o céu na noite de quarta-feira (17) teve a oportunidade de acompanhar um espetáculo astronômico raro: Mercúrio, Júpiter, Vênus e a Lua apareceram alinhados e próximos no horizonte. Para quem perdeu o fenômeno, uma nova chance ocorre nesta quinta-feira (18), logo após o pôr do sol, quando os astros voltarão a formar o mesmo cenário em diversas regiões do país.
O fenômeno chamou atenção principalmente pela proximidade entre a Lua crescente e Vênus, o planeta mais brilhante visível no céu. Segundo especialistas, esse tipo de configuração é menos comum do que os alinhamentos envolvendo apenas os planetas, que costumam ocorrer a cada 12 ou 15 meses.
De acordo com a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, os planetas visíveis a olho nu — Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno — orbitam o Sol em planos muito próximos ao da Terra. O mesmo acontece com a Lua, o que faz com que todos pareçam percorrer praticamente o mesmo caminho no céu, conhecido como eclíptica.
Essa característica cria a impressão de que os corpos celestes estão enfileirados. No entanto, cada astro se desloca em velocidades diferentes ao redor do Sol, fazendo com que essas configurações se formem e se desfaçam ao longo dos dias.
Nesta quinta-feira, a sequência dos astros poderá ser observada no horizonte oeste. A partir da linha do horizonte, aparecerão Mercúrio, Júpiter, Vênus e, mais acima, a Lua crescente. Todos poderão ser vistos sem a necessidade de equipamentos especiais.
Para uma melhor observação, é importante procurar um local com horizonte livre de obstáculos, como árvores, prédios ou morros. Mercúrio e Júpiter ficam muito próximos do horizonte e desaparecem rapidamente após o anoitecer. Já Vênus, mais alto e extremamente brilhante, é o mais fácil de localizar e pode servir como referência para encontrar os demais astros.
O alinhamento entre os planetas continuará visível até o fim de junho e início de julho, embora Mercúrio e Júpiter apareçam cada vez mais baixos no céu. Vênus permanecerá visível após o pôr do sol por vários meses, podendo ser observado até novembro.
Segundo Josina Nascimento, o fenômeno não provoca qualquer efeito sobre a Terra, mas oferece uma oportunidade especial para contemplar o universo. “Esses fenômenos são únicos e empolgantes. É sempre fascinante reservar um tempo para observar os astros”, destacou a astrônoma.
Para os apaixonados por astronomia, o Observatório Nacional promoverá no próximo sábado (20) uma transmissão ao vivo pelo YouTube, por meio do projeto "O Céu na Sua Casa", apresentando imagens oficiais do alinhamento e registros enviados por observadores de diversas partes do país.
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