Redação
Após mais de um ano de batalha judicial, o macaco-prego conhecido como Guerreiro deverá retornar para a família que o resgatou e cuidou dele desde os primeiros dias de vida, em Barra do Garças. A decisão foi tomada por unanimidade pela 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), encerrando um caso que mobilizou defensores da causa animal e gerou ampla repercussão nas redes sociais.
O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (3) e garantiu ao médico cirurgião Luiz Morato o direito de voltar a conviver com o animal, apreendido em maio de 2025 durante uma operação do Ibama.
Durante a análise do processo, os desembargadores entenderam que Guerreiro apresenta uma condição física que inviabiliza sua reintegração ao habitat natural. O macaquinho possui uma das patas amputadas e depende de cuidados especiais para sobreviver.
Ao votar pela devolução, a relatora do caso destacou que manter o animal afastado da família que o acolheu representaria uma situação prejudicial ao seu bem-estar, já que ele não possui condições de viver de forma independente na natureza.
Outro ponto que sensibilizou os magistrados foi uma carta escrita por Isabella, filha de Luiz Morato. No texto encaminhado à Justiça, a criança relatava a ligação afetiva construída com o macaquinho e pedia que ele pudesse voltar para casa.
Entenda o caso
A história de Guerreiro começou quando o médico encontrou o filhote gravemente ferido próximo a uma área rural da região de Barra do Garças. Recém-nascido, o animal apresentava uma das patas severamente lesionada, infestada por larvas e com poucas chances de sobrevivência.
Utilizando conhecimentos médicos e com auxílio de profissionais da área da saúde, Morato iniciou um tratamento intensivo para salvar o filhote. Contra as expectativas iniciais, o macaquinho se recuperou e passou a integrar a rotina da família.
Com o passar do tempo, Guerreiro ganhou espaço especial na residência e tornou-se parte do convívio familiar. Segundo o médico, a casa chegou a ser adaptada para atender às necessidades do animal, incluindo a construção de um espaço adequado para sua permanência.
Apesar dos cuidados e do acompanhamento veterinário, o macaco foi apreendido pelo Ibama em 30 de maio de 2025. A medida gerou forte repercussão em Barra do Garças e em diversas regiões do país, dando origem a campanhas nas redes sociais que defendiam a permanência do animal com a família.
Desde então, Luiz Morato travou uma disputa judicial para recuperar a guarda do macaquinho, sustentando que o animal não teria condições de sobreviver sem assistência humana devido à deficiência física.
A decisão do TRF1 representa o principal capítulo dessa trajetória e deverá ser encaminhada para cumprimento na primeira instância da Justiça Federal.
Com o resultado favorável, a expectativa da família é que Guerreiro retorne para casa nos próximos dias, encerrando um período de separação que mobilizou milhares de pessoas e reacendeu o debate sobre os cuidados destinados a animais silvestres resgatados em situações excepcionais.
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