Estudantes ocupam reitoria da UFMT e cobram expulsão de alunos investigados por lista misógina

Protesto denuncia falta de resposta rápida da universidade e pede medidas contra violência de gênero no campus


Por Rota Araguaia em 25/05/2026 às 10:18 hs

Estudantes ocupam reitoria da UFMT e cobram expulsão de alunos investigados por lista misógina
Reprodução

Redação

 

Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso realizaram um ato, nesta quinta-feira (21), e ocuparam a reitoria da instituição para exigir a expulsão de dois alunos investigados por envolvimento na criação de uma lista que classificava colegas como “estupráveis”.

A manifestação foi organizada pelo Movimento Correnteza, com apoio do Movimento de Mulheres Olga Benário.

Até a última atualização desta reportagem, a universidade não havia se manifestado oficialmente sobre o protesto.

Desde o início do mês, quando o caso ganhou repercussão, a UFMT informou que instaurou uma investigação interna para apurar os fatos. Dois alunos foram afastados, e as aulas presenciais do curso de engenharia civil chegaram a ser suspensas após o pai de um dos investigados ameaçar estudantes dentro do campus.

Segundo os organizadores, o ato reuniu acadêmicos de diversos cursos e teve como principal objetivo pressionar a instituição a adotar medidas mais rígidas contra a misoginia e acelerar os processos administrativos relacionados ao caso. Os manifestantes também cobraram mais agilidade da reitoria, alegando que a resposta da universidade não tem sido proporcional à gravidade da situação.

Durante a mobilização, representantes dos estudantes se reuniram com o vice-reitor. Conforme os organizadores, a reitoria se comprometeu a discutir melhorias na infraestrutura do campus, como reforço na iluminação e ampliação do sistema de monitoramento, além da criação de uma comissão para debater segurança e ações de enfrentamento à violência contra mulheres.

Entre as propostas em análise estão a realização de aulas obrigatórias de conscientização sobre misoginia e violência de gênero, em substituição a atividades regulares em determinados períodos.

Ainda de acordo com os estudantes, uma reunião com a reitora está prevista para esta sexta-feira (22). Os processos de investigação e possíveis expulsões, assim como a apuração das ameaças atribuídas ao pai de um dos envolvidos, seguem em andamento.

Entenda o caso

No início de maio, um estudante do curso de Direito foi afastado após ser apontado como participante na criação da lista. Mensagens divulgadas nas redes sociais indicariam a existência de um “ranking de alunas mais estupráveis” entre cursos da universidade.

O caso gerou forte repercussão interna e motivou protestos de estudantes. Áudios que circulam em aplicativos de mensagens também reforçariam a conduta investigada.

O Ministério Público de Mato Grosso instaurou um procedimento administrativo e deu prazo de cinco dias para que a universidade informasse quais medidas estão sendo adotadas. A apuração busca identificar possíveis crimes após o vazamento de mensagens que indicariam intenção de violência sexual contra colegas.

Segundo a UFMT, o diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), Roberto Barbosa Silva, acompanhou estudantes até a delegacia após as ameaças registradas. A situação aumentou a preocupação de alunos e familiares com a segurança no campus.

 

O suspeito já foi identificado pela Polícia Civil e deverá prestar depoimento.



Deixe seu Comentário


 topo

Seja visto por centenas de pessoas diariamente

Cadastre-se agora mesmo em nosso guia comercial, conheça agora mesmo nossos planos !