Concurso da Câmara de Goiânia é suspenso após suspeita de favorecimento a candidato

Decisão do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás aponta possível conflito de interesses envolvendo vínculo com banca organizadora


Por Rota Araguaia em 18/05/2026 às 14:26 hs

Concurso da Câmara de Goiânia é suspenso após suspeita de favorecimento a candidato
(Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Goiânia)

Redação

 

O concurso público da Câmara Municipal de Goiânia foi suspenso por 90 dias após suspeitas de favorecimento envolvendo um candidato aprovado em primeiro lugar. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás, que determinou a paralisação do certame enquanto as denúncias são investigadas.

O caso envolve o candidato Luã Lírio de Souza Cruz, aprovado para o cargo de administrador, com salário inicial de R$ 10 mil. Ele obteve 96 pontos de um total de 100. As denúncias indicam um possível conflito de interesses, já que o candidato teria mantido vínculo com o Instituto Verbena/UFG, responsável pela organização do concurso.

Segundo as apurações preliminares, Luã teria atuado junto ao instituto em período próximo à realização das provas, incluindo participação em eventos e projetos ligados à banca organizadora. Embora tenha solicitado afastamento em janeiro de 2025 para atuar na Defensoria Pública da União, registros apontam que ele ainda representava o instituto em atividades públicas, como um evento realizado em Campina Grande no dia 10 de março, poucos dias antes da aplicação da prova, ocorrida em 15 de março.

Apesar das suspeitas, o TCM-GO destacou que não há, até o momento, comprovação de fraude ou manipulação no resultado. Ainda assim, o tribunal considerou que existem indícios suficientes para justificar a suspensão temporária do concurso, além da realização de diligências para apurar se houve acesso privilegiado a informações internas ou qualquer vantagem indevida.

Em manifestação ao tribunal, o Instituto Verbena/UFG informou que o candidato comunicou formalmente um possível conflito de interesses ainda em dezembro de 2025 e solicitou afastamento completo das atividades relacionadas ao certame. A instituição afirmou que adotou medidas preventivas, como bloqueio de acessos internos e restrição de permissões, para evitar qualquer interferência.

Já a Procuradoria-Geral da Câmara Municipal de Goiânia afirmou ter recebido a decisão com tranquilidade e reforçou a confiança na lisura do processo conduzido pela banca organizadora. Em nota, o órgão ressaltou que a própria decisão do tribunal reconhece a ausência de provas concretas de irregularidades até o momento.

A Câmara informou ainda que irá colaborar com as investigações e aguardar a conclusão das apurações antes de definir os próximos passos do concurso.



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