Novo Desenrola Brasil entra em vigor e amplia renegociação de dívidas no país

Programa oferece descontos de até 90%, inclui novos públicos e traz mudanças no crédito consignado


Por Rota Araguaia em 05/05/2026 às 09:59 hs

Novo Desenrola Brasil entra em vigor e amplia renegociação de dívidas no país
Marcello Casal Jr/Agência Brasil - Arquivo

Redação

A partir desta terça-feira (5), brasileiros inadimplentes com renda de até cinco salários mínimos — atualmente em R$ 8.105 — já podem procurar os canais oficiais dos bancos para aderir ao novo Desenrola Brasil. A iniciativa tem como objetivo facilitar a quitação de débitos e ampliar o acesso ao crédito no país.

Além de pessoas físicas, o programa contempla estudantes, micro e pequenos empreendedores, aposentados e agricultores familiares. Entre os bancos habilitados estão Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú, Santander, Nubank, Banco Inter, Sicoob, Banco BV, Banrisul, Banco BMG, Banco Pan e o BRB.

Para incentivar a adesão, o programa oferece descontos entre 30% e 90% e juros limitados a até 1,99% ao mês. A atual versão é uma reformulação da iniciativa lançada em 2023 pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre as novidades desta edição, que terá duração de 90 dias, está a possibilidade de utilização de até R$ 1 mil ou 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas. Os bancos também deverão investir ao menos 1% dos recursos do programa em ações de educação financeira.

Outra medida prevista é o controle do uso do crédito, com proibição de destinação de recursos para apostas, inclusive por meio de modalidades como cartão de crédito e Pix parcelado. Assim como na edição anterior, dívidas de até R$ 100 serão retiradas dos cadastros de inadimplência, embora continuem existindo.

O Desenrola está dividido em quatro frentes: Desenrola Famílias, Desenrola Fies, Desenrola Empresas e Desenrola Rural.

Mudanças no crédito consignado

O pacote também inclui alterações nas regras do crédito consignado para aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos.

No caso do INSS, o limite de consignação total foi reduzido de 45% para 40% da renda, com limite de até 5% para cartão consignado e 5% para cartão de benefícios. O prazo máximo de pagamento foi ampliado de 96 para 108 meses, e passa a ser permitida carência de até 90 dias. A margem consignável também será reduzida gradualmente até atingir 30%.

Para servidores públicos federais, o prazo máximo das operações foi ampliado de 96 para 120 meses, com possibilidade de carência de até 120 dias. O limite de consignação também passa a ser de 40%, com redução gradual ao longo dos anos.

Desenrola Fies

No Fies, as condições variam conforme o tempo de inadimplência. Dívidas com mais de 90 dias podem ter desconto total de juros e multas e redução de 12% do valor principal no pagamento à vista. Para débitos com mais de 360 dias, os descontos podem chegar a 77% para estudantes fora do CadÚnico e até 99% para inscritos no programa social.

Empresas e produtores rurais

A iniciativa também prevê benefícios para micro e pequenas empresas, com ampliação de prazos, carência maior e aumento do limite de crédito. Negócios com faturamento de até R$ 360 mil poderão ter carência de até 24 meses e prazo de pagamento de até 96 meses, além de limite de crédito ampliado para até 50% do faturamento — podendo chegar a 60% em empresas lideradas por mulheres.

Para empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões, o limite de crédito sobe para até R$ 500 mil, com condições semelhantes de prazo e carência.

Já o Desenrola Rural, voltado a agricultores familiares, pescadores artesanais e cooperativas, terá prazo ampliado para permitir a renegociação de dívidas antigas.

Endividamento em alta

Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo apontam que 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas em março, maior índice da série histórica. No mesmo período, a taxa de inadimplência foi de 29,6%, abaixo do pico de 30,5% registrado em setembro e outubro de 2025.

O cenário reforça a expectativa do governo de que o novo Desenrola Brasil contribua para reduzir o endividamento e estimular a recuperação econômica.



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