Mato Grosso é 2º no país em mortes por acidentes de trabalho e acende alerta sobre segurança laboral

Perfil econômico do estado, baseado no agronegócio, no transporte de cargas e na construção de infraestrutura, contribui para o risco elevado de acidentes.


Por Rota Araguaia em 28/04/2026 às 11:14 hs

Mato Grosso é 2º no país em mortes por acidentes de trabalho e acende alerta sobre segurança laboral
Foto: Arte/g1

Redação

Mato Grosso ocupa o segundo lugar no Brasil em taxa de mortes por acidentes de trabalho, com cerca de um óbito a cada 100 ocorrências registradas — índice que representa o dobro da média nacional. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgados nesta terça-feira (28), e colocam o estado em situação de “duplo alerta”, pela combinação de alta incidência e elevada mortalidade.

Entre 2016 e 2025, Mato Grosso registrou 134.549 acidentes de trabalho e 1.257 mortes. Segundo o levantamento, o perfil econômico do estado, fortemente baseado no agronegócio, no transporte de cargas e na construção de infraestrutura, contribui para o cenário de maior risco ocupacional.

As informações têm como base registros das Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT), do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e dados do eSocial, que reúnem notificações oficiais de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

No mesmo período, o Brasil acumulou 6,4 milhões de acidentes de trabalho e 27.486 mortes. Os impactos também atingem a produtividade e a vida dos trabalhadores, com mais de 106 milhões de dias perdidos por afastamentos temporários e cerca de 249 milhões de dias debitados — indicador que mede os efeitos permanentes de lesões graves e óbitos.

Saúde lidera acidentes; transporte concentra mais mortes

O levantamento mostra que o setor da saúde, especialmente o atendimento hospitalar, lidera em número absoluto de acidentes no país, com mais de 500 mil registros, reflexo da alta concentração de trabalhadores e da sobrecarga enfrentada pelas equipes, sobretudo no período pós-pandemia.

Já o transporte rodoviário de cargas aparece como o segmento mais letal do Brasil. Entre 2016 e 2025, o setor somou 2.601 mortes, com taxas de letalidade superiores à média nacional.

Quando o recorte é feito por ocupação, os técnicos de enfermagem aparecem entre os profissionais que mais sofrem acidentes, enquanto motoristas de caminhão lideram o número de mortes, com 4.249 óbitos em uma década — média superior a uma morte por dia.

A construção civil também figura entre os setores mais perigosos, reunindo elevado número de acidentes e alta mortalidade, especialmente em atividades como obras de edifícios, terraplenagem e montagem industrial.

 

Neste último segmento, o risco é considerado extremo. Segundo o estudo, obras de montagem industrial registram taxa de incidência de até 80 mil acidentes para cada 100 mil trabalhadores, apontando um cenário de exposição contínua ao perigo.



Deixe seu Comentário


 topo

Seja visto por centenas de pessoas diariamente

Cadastre-se agora mesmo em nosso guia comercial, conheça agora mesmo nossos planos !