Relatório aponta queda nos conflitos no campo, mas assassinatos dobram no Brasil

Levantamento da CPT registra aumento da violência no campo e crescimento dos casos de trabalho escravo


Por Rota Araguaia em 27/04/2026 às 14:23 hs

Relatório aponta queda nos conflitos no campo, mas assassinatos dobram no Brasil
© Bruno Mancinelle | Casa de Governo

Redação

A Comissão Pastoral da Terra lançou nesta segunda-feira (27) a 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil, que aponta redução de 28% nas ocorrências de conflitos no campo em 2025, mas revela aumento expressivo da violência letal e dos casos de trabalho escravo.

Segundo o levantamento, foram registrados 1.593 conflitos em 2025, contra 2.207 em 2024. Apesar da queda no número total de ocorrências, os assassinatos de trabalhadores e povos da terra, das águas e das florestas dobraram, passando de 13 para 26 vítimas.

A maior parte dos homicídios foi registrada na Amazônia Legal, com 16 casos, concentrados nos estados do Pará, Rondônia e Amazonas.

De acordo com o relatório, fazendeiros aparecem como os principais agentes envolvidos nos assassinatos, ligados a 20 dos 26 casos, como mandantes ou executores.

Além das mortes, outros tipos de violência tiveram aumento significativo, como prisões, que passaram de 71 para 111 casos, além de registros de humilhação e cárcere privado, que também cresceram.

Entre todos os tipos de conflitos, os ligados à disputa por terra seguem predominando, representando 75% dos casos. Invasões, pistolagem e contaminação por agrotóxicos estão entre as principais ocorrências.

Povos indígenas, posseiros, quilombolas e trabalhadores sem-terra aparecem entre os grupos mais atingidos.

O relatório também aponta aumento de 5% nos casos de trabalho escravo ou análogo à escravidão, com 159 registros em 2025, além de alta de 23% no número de trabalhadores resgatados, que chegou a 1.991 pessoas.

Um dos destaques do levantamento foi o resgate de 586 trabalhadores em condições degradantes em uma obra de usina em Porto Alegre do Norte.

Segundo a CPT, setores como construção civil, lavouras, mineração e pecuária continuam concentrando os maiores registros de exploração laboral.

Para a entidade, os dados revelam que, apesar da redução numérica dos conflitos, a violência no campo segue grave e com sinais de agravamento em áreas estratégicas do país.



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