No próximo dia 23 de abril, às 19h, o Centro Cultural Valdon Varjão, em Barra do Garças (MT), será palco de um momento histórico para o audiovisual e para a cultura dos povos originários. A cidade sedia a 1ª Mostra de Cinema & Cultura Indígena do Araguaia – Olhares Xavante, um evento dedicado a colocar o indígena não apenas como tema, mas como dono de sua própria narrativa frente às câmeras e na cadeira de direção.
O evento surge como uma poderosa ferramenta de retomada cultural e preservação de saberes ancestrais, apresentando uma seleção de filmes inéditos e impactantes que prometem emocionar o público e promover reflexões profundas sobre a identidade Xavante no Brasil contemporâneo.
O Olhar Feminino na Direção Um dos grandes destaques da programação é a exibição de duas obras dirigidas por Emília Top’Tiro, jovem talento que representa a nova geração de cineastas Xavante. Emília assina a direção de "Tsõ Reptuna Ró Hã", uma narrativa que funde animação e histórias ancestrais ao mostrar a anciã Batica e o jovem guerreiro Tsiropto lidando com as transformações de seu mundo.
A diretora também apresenta o documentário "Originárias", uma obra que costura vozes de mulheres de diversas etnias. O filme aborda, a partir de perspectivas únicas, os enfrentamentos diários e o orgulho de ser mulher indígena na linha de frente da defesa de seus territórios e culturas.
Memória Política e a Juventude Urbana A Mostra também fará um resgate histórico fundamental com a exibição de "Araguaia Território Indígena - A Trajetória de Mário Juruna". O documentário revisita a vida extraordinária do primeiro deputado federal indígena do Brasil. Através de memórias de familiares e anciões, a obra mostra como a voz de Juruna ecoou no Congresso Nacional na luta implacável pela demarcação de terras, consolidando a premissa de que "a política é uma extensão da terra, e a luta por direitos é uma dança ancestral".
Trazendo o debate para o presente e para as ruas de Barra do Garças, a programação conta ainda com o documentário-manifesto "Araguaia Território Indígena - Presenças Invisíveis". A obra experimental foi gravada pelos próprios alunos da Escola Estadual Irmã Diva Pimentel e rompe o anonimato da juventude indígena na cidade. Através do audiovisual, os jovens estudantes expõem o choque entre suas raízes e o apagamento urbano, provando que a presença, por si só, é o maior ato de resistência.
Fomento e realização
O evento é uma oportunidade ímpar para a população do Vale do Araguaia prestigiar a riqueza do cinema feito por quem vive e respira a cultura originária. A entrada é aberta ao público.
O projeto é uma produção e realização da Curicaca Criativa Produção Cultural, com apoio do MuHNA. A Mostra conta com patrocínio e parceria da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Barra do Garças (Lei Aldir Blanc) e do Governo de Mato Grosso (SECEL/MT), Ministério da Cultura e Governo Federal, no âmbito do EDITAL Nº 14/2023/SECEL - FOMENTO AUDIOVISUAL - DOCUMENTÁRIO TEMÁTICO - EDIÇÃO LEI PAULO GUSTAVO.
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