Maria Klara Duque / Gazeta Digital
O número de afogamentos em Mato Grosso registrou aumento de 56% nos primeiros meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Dados preliminares da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) apontam que, entre janeiro e fevereiro, foram contabilizados 14 casos, contra nove ocorrências no mesmo intervalo de 2025.
As informações são do Sistema de Registro de Ocorrências Policiais (SROP-MT) e ainda podem sofrer alterações conforme o andamento das investigações.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o início do ano concentra férias escolares, feriados e eventos como o Carnaval, além das altas temperaturas, o que aumenta a presença de pessoas em rios, lagos e piscinas no estado.
Em entrevista ao GD, o bombeiro militar, major Felipe Mançano Saboia, diretor operacional adjunto e mergulhador, destacou conselhos importantes para evitar os afogamentos.
A primeira atitude em caso de afogamento é acionar socorro imediatamente pelo 193. “Antes de qualquer ação de resgate, é essencial pedir ajuda. Em seguida, deve-se tentar alcançar a vítima com algum objeto, sem entrar na água, como cordas, galhos ou materiais flutuantes”, orienta.
Ele alerta que entrar na água sem preparo pode agravar a situação. “Uma pessoa em pânico pode se agarrar ao socorrista e provocar outro afogamento. Civis não devem entrar na água em nenhuma hipótese. A regra é alcançar, lançar e rebocar, entrar só como último recurso e com treinamento”, explica.
Riscos muitas vezes invisíveis
Segundo o bombeiro, rios apresentam perigos que nem sempre são perceptíveis. Correntezas fortes, variações bruscas de profundidade e mudanças no leito podem surpreender até quem conhece o local.
“Uma área aparentemente rasa pode se tornar profunda de repente. A água pode estar na cintura e, em poucos passos, a pessoa perde o contato com o chão. Por isso, temos uma regra clara: água na cintura já é sinal de risco”, afirma.
Ele também ressalta que o comportamento dos rios muda com frequência, principalmente em períodos de chuva. “Mesmo que não esteja chovendo no local, o nível pode subir rapidamente devido a chuvas em regiões próximas”, completa.
Outro fator de risco é o consumo de bebidas alcoólicas. “O álcool compromete o equilíbrio, a coordenação e a percepção de perigo. A orientação é direta: quem bebe, não entra na água”, reforça.
O bombeiro orienta que banhistas observem indícios que podem indicar risco antes de entrar na água, como coloração barrenta, ausência de outras pessoas no local, vegetação densa nas margens, som de corredeiras e mudanças na tonalidade da água.
“Na dúvida, a melhor decisão é não entrar. A prevenção ainda é o principal caminho para evitar tragédias”, conclui.
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