Secom BG
O número de Cartões SUS cadastrados em Barra do Garças chega a quase 130 mil, quantidade muito maior do que o número real de habitantes, que segundo a estimativa do IBGE é de 73.878 pessoas. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a diferença ocorre devido ao cadastramento irregular de pessoas de cidades vizinhas, que além de dependerem dos atendimentos de média e alta complexidade do Hospital Municipal de Barra do Garças, também buscam a atenção primária no município.
O Cartão SUS, que hoje é unificado ao número do CPF, é o documento de identificação para atendimentos no sistema público de saúde brasileiro. Ele é usado principalmente para vincular informações como histórico médico, exames, medicamentos e agendamentos de consultas. O documento tem validade em todo o território nacional, permitindo que o paciente possa ser atendido em qualquer localidade do país.
Mas morar em uma cidade e se cadastrar no SUS como pertencente a outro município, além de gerar distorções no sistema e problemas graves de gestão e financiamento da saúde, ainda pode ser classificado como fraude.
Por regra do próprio Sistema Único de Saúde (SUS), um município não pode negar atendimento a pacientes mesmo que ele não seja residente local. Mas existe uma organização territorial, principalmente na atenção primária à saúde, que pode limitar os serviços se o paciente não estiver cadastrado no município onde está sendo atendido.
Pessoas residentes em municípios vizinhos, especialmente da região do Araguaia mato-grossense e goiano, se cadastram irregularmente em Barra do Garças, apresentando um falso endereço local. Quem burla o sistema tem como objetivo facilitar o atendimento e garantir acompanhamento pelo serviço de saúde de Barra do Garças, sem restrições.
De acordo com a Prefeitura de Barra do Garças, entre janeiro e outubro de 2025, os municípios vizinhos geraram pelo menos 8,7 milhões em déficit para os cofres da cidade. Esse valor, porém, considera apenas cirurgias e partos, não incluindo atendimentos médicos e exames, e não contabilizando também a sobrecarga que a fraude de endereços causa com o aumento do número de cartões.
Com quase 130 mil unidades de Cartão SUS cadastrados, Barra do Garças enfrenta problemas de gestão e financiamento da saúde. O sistema local sobrecarregado não recebe uma compensação equivalente para atender tantos pacientes de outros municípios.
Segundo o prefeito de Barra do Garças, Dr. Adilson Gonçalves, a gestão da saúde é desafiadora, sobretudo, porque o município assume uma responsabilidade regional quanto à prestação dos serviços. “Infelizmente, nós temos uma estrutura de saúde municipal, com apoio financeiro municipal, mas atendemos como um sistema regional. Hoje, a saúde custa 30% da arrecadação e boa parte desse custo é despesa com pacientes de outros municípios. Por isso, precisamos somar forças para melhorar as compensações financeiras e regionalizar oficialmente a Saúde de Barra do Garças”.
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