Aumento de 5% na velocidade pode elevar em até 20% mortes no trânsito

Estudo destaca limites do corpo humano em acidentes e alerta para riscos em decisões sobre velocidade e renovação automática da CNH.


Por Rota Araguaia em 09/03/2026 às 08:36 hs

Aumento de 5% na velocidade pode elevar em até 20% mortes no trânsito
© Marcello Casal JrAgência Brasil

Redação

 

Aumentar em apenas 5% a velocidade permitida em uma via pode elevar em até 20% o número de mortes entre usuários do trânsito. O dado é da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e integra a nova diretriz “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária”.

O documento reúne estudos científicos que indicam que decisões administrativas no trânsito devem considerar os limites biomecânicos do corpo humano e a relação direta entre velocidade e gravidade dos acidentes.

Segundo a Abramet, a energia liberada em um sinistro cresce de forma exponencial com o aumento da velocidade, ultrapassando rapidamente a capacidade do corpo humano de absorver impactos. A situação é ainda mais crítica para usuários vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas.

“O corpo humano possui limites biomecânicos inegociáveis e eles devem ser o ponto de partida das políticas públicas de trânsito”, destacou a entidade em comunicado.

De acordo com o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, a diretriz mostra que o problema vai além de comportamento ou engenharia viária.

“A diretriz evidencia que não estamos lidando apenas com comportamento ou engenharia, mas com limites biológicos. Quando esses limites são ignorados, o resultado é o aumento de mortes e sequelas graves, mesmo em velocidades consideradas legais”, afirmou.

Dados do estudo

O levantamento aponta que pequenas reduções de velocidade podem diminuir significativamente o risco de morte em acidentes. Em contrapartida, aumentos aparentemente modestos elevam de forma desproporcional a gravidade das ocorrências.

O documento também chama atenção para o crescimento da frota de SUVs e de veículos com frente mais elevada, que aumentam o risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas, mesmo em velocidades moderadas.

Em colisões envolvendo pessoas fora do veículo, a velocidade é responsável por cerca de 90% da energia transferida ao corpo da vítima.

Dados do DataSUS citados na diretriz indicam que pedestres, ciclistas e motociclistas representam mais de três quartos das internações hospitalares relacionadas ao trânsito no país.

Renovação automática da CNH

A Abramet também abordou o tema da renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), autorizada pela Medida Provisória 1327/2025.

Segundo a entidade, a aptidão para dirigir não é permanente e pode variar conforme idade, condições de saúde e exposição ao risco. Doenças neurológicas e cardiovasculares, distúrbios do sono, osteoporose e sequelas de traumatismos podem reduzir a tolerância do corpo humano a impactos.

Por isso, a associação defende avaliações médicas periódicas e individualizadas para motoristas.

Renovação automática

O programa de renovação automática da CNH beneficiou 323.459 condutores na primeira semana de vigência, segundo dados oficiais. A medida é destinada a motoristas inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) e gerou economia estimada de R$ 226 milhões em taxas e exames.

A maioria dos beneficiados possui CNH categoria B (carros), representando 52% das renovações automáticas. Motoristas com categoria AB (carros e motocicletas) correspondem a 45%, enquanto os condutores apenas de motocicletas (categoria A) representam 3%.

Exceções

Alguns grupos não podem utilizar a renovação automática. Motoristas com 70 anos ou mais continuam obrigados a renovar a CNH presencialmente a cada três anos.

Também ficam de fora condutores que tiveram a validade do documento reduzida por recomendação médica ou aqueles com a CNH vencida há mais de 30 dias.

Para motoristas com mais de 50 anos, que renovam a habilitação a cada cinco anos, o processo automático será permitido apenas uma vez.

 

A Abramet defende que políticas públicas de trânsito priorizem limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana e sejam acompanhadas de campanhas educativas e gestão permanente da velocidade nas vias.

 

Fonte: AGÊNCIA BRASIL



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