Redação
O Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil revelou que, em janeiro de 2025, 84,91% das negativações foram de consumidores reincidentes — ou seja, pessoas que já haviam sido incluídas no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
Dentro desse universo, 65,16% ainda não tinham quitado dívidas antigas e acabaram negativados novamente. Outros 19,75% chegaram a sair do cadastro ao longo do último ano, mas retornaram à inadimplência. Apenas 15,09% dos negativados em janeiro não possuíam restrições no CPF nos 12 meses anteriores.
Outro dado que chama atenção é o intervalo médio entre o vencimento de uma dívida e o surgimento de uma nova pendência entre os reincidentes: 73,9 dias. Isso significa que, em média, pouco mais de dois meses após uma dívida negativada, outra já vence, indicando dificuldade contínua na organização do orçamento.
Nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026, o número de devedores reincidentes cresceu 13% na comparação com o mesmo período anterior. Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o cenário revela mais do que um aperto momentâneo.
“Janeiro costuma ser um mês de ressaca financeira, e o índice de reincidência expõe a fragilidade do orçamento doméstico. O consumidor limpa o nome para recuperar o acesso ao crédito, mas, sem uma reserva de emergência ou mudança de hábitos, acaba caindo nas mesmas armadilhas de consumo que o levaram à primeira negativação”, afirmou.
A faixa etária de 30 a 39 anos concentra a maior parcela dos devedores reincidentes, com 25,28% do total. Em relação ao sexo, a distribuição permanece relativamente equilibrada: 53,82% são mulheres e 46,18% homens.
Os dados de reincidência, combinados ao Indicador de Recuperação de Crédito do SPC Brasil, ajudam a monitorar o cenário da inadimplência no país, que atualmente atinge cerca de 43,88% da população adulta.
Enquanto a reincidência segue elevada, o Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas registrou queda de 6,82% nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026, na comparação com o período anterior. O recuo foi mais intenso entre consumidores que levaram de quatro a cinco anos para quitar integralmente suas dívidas, com redução de 23,04%.
Entre os consumidores que conseguiram limpar o nome em janeiro, a maior participação foi da faixa etária de 50 a 64 anos, com 24,62% do total. Nesse grupo, 51,42% são mulheres e 48,58% homens.
O valor médio pago por consumidor que regularizou a situação foi de R$ 1.954,03, considerando a soma de todas as dívidas. Apesar disso, 65,19% quitaram valores de até R$ 500.
Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, o cenário é preocupante.
“A queda de 6,82% no número de brasileiros que conseguiram limpar o nome é um indicador crítico da paralisia econômica. Quando a recuperação de crédito desacelera enquanto a reincidência permanece alta, o impacto social é imediato: temos uma massa de cidadãos invisíveis para o mercado formal, o que aprofunda as desigualdades e freia o consumo das famílias”, alertou.
O levantamento reforça o desafio da educação financeira e da retomada econômica sustentável, em um contexto de orçamento doméstico pressionado e crédito mais restrito.
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